Feminicídio: Enfermeira assassinada pelo ex-marido em Palmas
Feminicídio em Palmas: ex-marido mata enfermeira e morre em confronto

A enfermeira Morgana Vieira Monteiro, de 45 anos, foi vítima de feminicídio na noite de segunda-feira (27) em Palmas, no Tocantins. Ela foi morta a tiros e golpes de arma branca pelo ex-marido, Lelito Tavares Barbosa, de 49 anos, que, horas depois, morreu em confronto com a Polícia Militar (PM). O crime ocorreu em uma casa na quadra 1.503 Sul, na região sul da capital.

Profissional dedicada e reconhecida

Morgana trabalhava como enfermeira na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Porto Nacional e também atuava como agente socioeducativa no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case). Em 2022, recebeu uma Moção de Aplausos da Assembleia Legislativa do Tocantins em homenagem ao Dia Internacional da Enfermagem. O documento a descrevia como exemplo para os colegas e destacava sua contribuição à saúde pública tocantinense.

Ela era natural de Tocantínia e irmã da vice-prefeita do município, Jordana Monteiro. A Prefeitura de Porto Nacional emitiu nota de pesar, afirmando que Morgana "deixa um legado de dedicação, competência, humanidade e compromisso com a saúde da nossa população”. A Associação dos Servidores do Sistema Socioeducativo do Tocantins publicou uma declaração: "Que sua memória jamais seja reduzida à forma como sua vida terminou. Você merece ser lembrada pela vida que construiu, pelo bem que fez, pelo carinho que espalhou" – diz o texto.

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Detalhes do crime e da fuga

Segundo o tenente-coronel da PM, Gustavo Bolentini, o ex-marido pulou o muro da casa de Morgana e a atacou rapidamente. A vítima chegou a se trancar no banheiro, mas foi morta. Vizinhos acionaram a polícia, que chegou rapidamente. “A polícia chegou rapidamente, inclusive nem deu tempo dele fugir da própria quadra”, relatou o oficial.

Após o crime, Lelito fugiu armado. As buscas duraram cerca de quatro horas, com apoio do Batalhão de Polícia de Choque, Grupo de Operações com Cães (GOC) e Batalhão de Operações Especiais. Ele foi localizado em uma mata na 1.503 Sul. “O cão do GOC conseguiu farejar o local de entrada e levou as equipes até onde ele estava escondido. O cão chegou primeiro, ele efetuou alguns disparos inicialmente contra o cão e depois contra as equipes. As equipes revidaram e ele foi atingido. Foi chamado o socorro, mas ele acabou falecendo no local”, explicou Bolentini.

Investigação e reações

A 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) instaurou inquérito para apurar o feminicídio. Também serão investigadas as circunstâncias da morte do suspeito, decorrente de intervenção policial. O Conselho Regional de Enfermagem do Tocantins (Coren-TO) lamentou a morte e reforçou o repúdio à violência contra a mulher.

O corpo de Morgana foi velado na Feira Municipal Moacir Sotero, em cerimônia aberta ao público. Colegas a descrevem como acolhedora e comprometida. A tragédia interrompeu uma trajetória de quase uma década dedicada ao cuidado de pacientes e adolescentes do sistema socioeducativo.

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