O exame de papiloscopia realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) confirmou, nesta quarta-feira (29), que o suspeito de matar Washington Rodrigo, de 33 anos, dentro de um quarto de hotel em João Pessoa tem 17 anos. A identificação se deu por meio da análise de impressões digitais, comparadas com o banco de dados do Rio Grande do Norte, estado de origem do adolescente. A informação foi divulgada pela TV Cabo Branco.
Exames e custódia
Antes da confirmação papiloscópica, o suspeito havia passado por exame de arcada dentária, cujo resultado foi inconclusivo. Documentos apresentados por familiares e outros registros do histórico do adolescente serão reunidos e encaminhados à Justiça e ao Ministério Público. O delegado Diego Garcia, responsável pelas investigações, afirmou: "Não tem nenhuma modificação maior em relação à conduta da polícia, porque ele já está sendo custodiado como se menor fosse e, na dúvida, a gente vai dar esse tratamento de menor para ele."
Após os exames, o suspeito foi transferido para a ala de menores da carceragem da Polícia Civil em João Pessoa, onde aguarda audiência de custódia com a promotoria da Infância e Juventude da capital.
Chegada à Paraíba e versão do suspeito
O adolescente chegou a João Pessoa no final da manhã de terça-feira (28), depois de ser ouvido em Caicó, no Rio Grande do Norte. Ele se apresentou à 3ª Delegacia Regional de Caicó na tarde de segunda-feira (27), acompanhado de advogado. À polícia, alegou que cometeu o crime por medo de ter a relação exposta. Segundo o delegado Diego Garcia, o contato entre os dois ocorreu por meio de um site de relacionamentos. Após o encontro, o suspeito teria se sentido intimidado pela vítima e usado uma réplica de arma de fogo para obrigá-lo a entregar a senha do celular.
"Alegou que se sentiu intimidado e ameaçado pela vítima que supostamente teria fotografado alguma parte do momento íntimo dos dois, ao passo que fez ele se algemar, simulando um fetiche, e, mediante o uso de uma airsoft, o constrangeu para entregar seu celular para que ele verificasse se havia mensagem ou fotografias em detrimento de sua pessoa, já que ele se acha um teólogo e por isso não poderia ter a imagem corrompida", disse o delegado.
Estrangulamento e tentativa de fuga
Conforme a Polícia Civil, após obter o celular, o adolescente usou o cabo do secador de cabelo do hotel para estrangular Washington Rodrigo. O delegado destacou que o investigado afirmou que a intenção era apenas deixar a vítima desacordada para conseguir sair do quarto. O superintendente da Polícia Civil da Paraíba, delegado Cristiano Santana, informou que, após o crime, o adolescente tentou deixar o hotel com o carro da vítima, mas não conseguiu. "Ele tenta sair com o carro da vítima, mas não consegue e evade sozinho, em comportamento normal, inclusive fazendo postagens como se nada tivesse acontecido."
No quarto do hotel, a polícia não encontrou entorpecentes, mas apreendeu uma luva cirúrgica, uma pistola de airsoft e algemas. Esses objetos, segundo o delegado, foram fundamentais para esclarecer o caso. "Existe um airsoft que foi apreendido. De fato existiram objetos que foram de grande valia para identificação, com elementos robustos que identificavam a participação do menor", afirmou.
Histórico criminal do adolescente
A Polícia Civil informou que o adolescente possui ao menos 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte. Ele já foi internado em unidade para menores infratores. Entre os registros, constam atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição (stalking), ameaça, violência doméstica e lesão corporal em contexto de violência doméstica.
Relembre o caso
Washington Rodrigo, de 33 anos, foi encontrado morto na sexta-feira (24) em um quarto de hotel na orla de Manaíra, em João Pessoa. O corpo estava sobre a cama, com as mãos amarradas, um fio enrolado no pescoço e um pano na boca. A Polícia Civil informou que o adolescente usou um nome falso para se hospedar e deixou o local sem registrar a saída. A investigação é conduzida pela Delegacia da Infância e da Juventude de João Pessoa. Familiares disseram à TV Cabo Branco que Washington trabalhava como motorista autônomo e havia informado à mãe que faria uma corrida para Pipa, no Rio Grande do Norte, antes de desaparecer.



