A Polícia Civil do Acre instaurou um inquérito para investigar as causas do desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, ocorrido na noite de sexta-feira (5). O acidente deixou quatro pessoas feridas. O delegado-geral Pedro Paulo Buzolim confirmou que peritos já realizaram uma perícia preliminar no local. Três delegados da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) foram designados para conduzir a investigação, que deve ser concluída em 30 dias.
Contexto do acidente
A ponte, que ligava distritos do município, estava interditada desde quinta-feira (4) devido ao risco de desabamento às margens do Rio Iaco. Imagens de câmeras de segurança mostram que quatro pessoas ignoraram o bloqueio e estavam sobre a estrutura no momento da queda. Os feridos foram identificados como Edinaldo Muniz, Edinei Muniz, Weverton Murieta e Antônio Morais Filho.
Investigação em andamento
O Ministério Público do Acre (MP-AC) também instaurou um procedimento para apurar as causas do desastre. O órgão solicitou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) uma perícia na área para identificar possíveis falhas no projeto, execução ou materiais utilizados. Além disso, requisitou ao Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) informações sobre a interdição e o contrato da obra. O MP-AC também enviará um ofício à Empresa Cidade LTDA., responsável pela construção, solicitando dados do projeto e medidas preventivas.
Responsabilidades
O governo do Acre afirmou que a construtora Cidade, responsável pela obra, tem responsabilidades judiciais. A ponte levou mais de dois anos para ser concluída e foi inaugurada em dezembro de 2023. A obra foi contratada na modalidade integrada, cabendo à empresa todas as etapas: projeto básico, executivo e execução. A obra foi recebida definitivamente em 19 de janeiro de 2024. De acordo com o Código Civil, o empreiteiro responde por cinco anos pela segurança da obra, estando ainda dentro do prazo de garantia. O governo aponta como possível causa a movimentação do solo às margens do Rio Iaco, fenômeno conhecido como “terras caídas”, comum na região amazônica devido às cheias e secas intensas. A Procuradoria Geral do Estado (PGE) adotará medidas judiciais, incluindo pedido para obrigar a empresa a reparar ou reconstruir a ponte sem custos ao poder público e garantir assistência aos feridos.
Relato de sobrevivente
Weverton Murieta, um dos sobreviventes, contou que estava com Antônio Morais Filho descarregando um caminhão quando encontraram o juiz aposentado Edinaldo Muniz e seu irmão Edinei sobre a ponte interditada. Edinaldo pediu que mostrassem a rachadura, e ao se aproximarem, a estrutura desabou. Weverton caiu no fundo do rio, agarrou-se aos destroços e conseguiu gritar por socorro ao ver Antônio ferido. Ele recebeu alta no sábado (6).
Estado de saúde dos feridos
Conforme a Secretaria de Saúde (Sesacre):
- Edinaldo Muniz dos Santos, 54 anos – Internado na UTI do Pronto-Socorro de Rio Branco, em estado gravíssimo. Passou por cirurgia para correção de fratura pélvica e apresenta traumatismo cranioencefálico grave, sob ventilação mecânica.
- Edinei Muniz dos Santos, 51 anos – Quadro estável, em ar ambiente, com fratura de antebraço e programação cirúrgica.
- Antônio Morais Lima Filho, 36 anos – Quadro estável, com fratura de fêmur e programação cirúrgica.
- Weverton Murieta, 34 anos – Recebeu alta após exames e atendimento, com quadro clínico estável.
O governo do Acre acompanha os desdobramentos e presta solidariedade às famílias, assegurando providências para restabelecer a mobilidade na região.



