Harmonização facial em jogadores: vaidade ou estratégia de marca?
Harmonização facial: vaidade ou estratégia de marca?

Jogadores de futebol têm recorrido cada vez mais à harmonização facial, não apenas por vaidade, mas como parte de uma estratégia de gestão da imagem pessoal. O fenômeno reflete a transformação do atleta em marca, que precisa gerar engajamento e atrair patrocinadores. Procedimentos como preenchimento com ácido hialurônico e aplicação de toxina botulínica podem custar de R$ 30 mil a R$ 60 mil por sessão, dependendo dos protocolos.

Procedimentos e custos da harmonização facial

A harmonização facial envolve reposicionamento de pontos estratégicos do rosto com preenchimento de ácido hialurônico e aplicação de botox. A durabilidade varia: o ácido hialurônico dura cerca de dois anos, com alguns produtos podendo permanecer até oito anos, enquanto a toxina botulínica requer repetição a cada quatro a seis meses. A Dra. Vivian Simões Pires, dermatologista que atende vários jogadores, explica: “A gente reposiciona, cria algumas vezes. Por exemplo, quando o paciente não tem queixo, a gente cria o queixo”.

Os custos são definidos caso a caso, mas uma harmonização básica com cerca de 10 seringas (10 ml) custa entre R$ 30 mil e R$ 60 mil. Muitos atletas vêm de longe para fazer a manutenção anual, realizando retoques de uma ou duas seringas.

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Motivações: autoestima e valor de mercado

Segundo a Dra. Vivian, a busca vai além da estética: “Pacientes que fizeram a harmonização conseguem mudar de emprego, ter alguma promoção”. A especialista em branding Giuliana Tranquilini acrescenta: “O jogador de futebol deixou de ser avaliado hoje somente pela entrega no campo. A marca também é construída nas redes sociais, nas entrevistas, nas parcerias comerciais”. A aparência tornou-se um ativo financeiro, assim como assessoria de imprensa ou personal branding.

Exemplos e preconceito no meio do futebol

Vini Jr., Léo Pereira, Pedro Raul e Raphinha são alguns dos jogadores que mudaram o visual. Apesar disso, a maioria evita comentar ou confirmar os procedimentos. O meia Lucas Lima foi uma exceção ao falar abertamente: “Já fiz a orelha e a harmonização, mas há muito tempo. Agora a barba cresceu, e a barba é a harmonização do homem”.

O preconceito ainda é forte. Muitos atletas realizam os procedimentos durante as férias e frequentam clínicas de forma discreta. “Teve um episódio de um jogador que fez a harmonização e o time não estava bem; caíram muito em cima dele. As pessoas pegam muito em cima disso”, revela a dermatologista. Giuliana Tranquilini reforça: “O campo continua sendo o lugar principal do atleta, mas esse não é mais o único espaço onde a marca dele é avaliada”.

Impacto no desempenho esportivo

Após a harmonização, o atleta fica apto a treinar em pouco tempo. A recomendação é evitar exercícios físicos e cabeceadas no primeiro dia, especialmente em caso de rinomodelação. A Dra. Vivian orienta: “Peço para não cabecear bola no outro dia, depois é vida normal”.

Conclusão

A harmonização facial entre jogadores de futebol reflete uma mudança cultural no esporte, onde a imagem pessoal se tornou estratégica para a carreira. Apesar do preconceito e dos memes, muitos atletas veem os procedimentos como ferramenta para melhorar a autoestima e o valor de mercado. Como conclui Giuliana Tranquilini, o legado do atleta vai além da aparência: “O que vai deixar o legado do atleta não é a aparência bonita, é a capacidade dele se conectar, de construir uma história que marque sua trajetória”.

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