Duas mulheres foram resgatadas durante uma operação contra exploração sexual na Paraíba, que apura a atuação de uma rede interestadual suspeita de tráfico de pessoas e submissão a condições análogas à escravidão, também nos estados do Rio Grande do Norte e Pernambuco. As informações foram confirmadas pela Polícia Federal (PF), responsável pelas investigações, nesta quarta-feira (10).
Esquema de metas e dívidas
De acordo com a corporação, as vítimas estavam subordinadas a um esquema de criação de dívidas análogo à escravidão. A PF apontou que os responsáveis estabeleciam metas para as mulheres, como o consumo de 40 doses de bebidas alcoólicas por semana e a realização de 20 programas sexuais diários. Caso as vítimas descumprissem essas metas, ficavam automaticamente em dívida com os criminosos. Elas ainda eram ameaçadas por homens armados durante o período em que permaneciam submetidas a essas condições.
Os suspeitos dedicavam-se unicamente ao recrutamento de mulheres para mantê-las nesse esquema. Na Paraíba, durante a operação, um homem foi preso suspeito de porte ilegal de arma de fogo. A PF informou ainda que, apesar do resgate de duas pessoas, há possibilidade de haver menores ainda envolvidos no esquema. A fase atual da operação concentrou-se na coleta de provas. As investigações prosseguem para identificar novas vítimas e desmantelar completamente a rede criminosa.
Detalhes da operação
Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. Na Paraíba, as seis ordens judiciais foram executadas nos municípios de Alagoa Grande, Pitimbu, Pedro Régis, Itabaiana e dois em Guarabira. No Rio Grande do Norte, dois mandados foram cumpridos em Nova Cruz. Já em Pernambuco, a ação ocorreu em Goiana. A operação, denominada "Donos da Noite", foi realizada de forma integrada com o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Trabalho e Emprego.
Origem das investigações
A investigação começou após uma representação policial feita pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Guarabira, na Paraíba. Segundo a PF, o foco inicial foi a coleta de provas sobre uma estrutura organizada para o tráfico de mulheres em situação de vulnerabilidade, destinadas à exploração sexual, além da apuração de possíveis casos de trabalho análogo à escravidão.
As investigações indicam que os envolvidos mantinham locais usados para exploração sexual, com indícios de imposição de dívidas, metas de consumo, multas e outras formas de controle sobre as mulheres. Também há indícios de rotatividade de vítimas entre unidades localizadas na Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Material apreendido e possíveis crimes
Durante a operação, os agentes buscaram apreender documentos, celulares, computadores, mídias eletrônicas, registros contábeis, comprovantes de transações financeiras e valores em espécie. Esse material deve auxiliar na comprovação dos crimes, na identificação de outros envolvidos e no rastreamento do fluxo financeiro.
Segundo a PF, os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por crimes como tráfico de pessoas, redução à condição análoga à de escravo, manutenção de casa de prostituição e rufianismo, além de outros delitos que possam ser identificados ao longo da investigação.



