A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9) a 10ª fase da operação Compliance Zero, com mandados de busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda, fundador da agência MITI. A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, investiga o envolvimento de Miranda em uma organização criminosa ligada ao Grupo Master, que atuava para intimidar e obter informações sigilosas de jornalistas, concorrentes e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Dossiê contra CEO do Itaú
De acordo com as investigações, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, atualmente preso desde março de 2026, encomendou a Thiago Miranda a produção de um dossiê para atacar o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho. Mensagens obtidas pela PF mostram Vorcaro dizendo: "Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy. Está me causando muito problema. Me ajuda nisso?", ao que Miranda respondeu: "Deixa comigo".
Os investigadores afirmam que eles compartilharam informações pessoais e patrimoniais de Maluhy e de sua esposa, Camila. O arquivo, intitulado "Família Maluhy - Relatório sobre Execução Fiscal - Caso Milton Maluhy Filho e Camila Moretti Maluhy", continha o aviso de que se tratavam de informações confidenciais. Em conversa posterior, Miranda informou a Vorcaro que estaria com tudo pronto sobre "Milton", com a intenção de prejudicar o executivo.
Coordenação de influenciadores e intimidação
Segundo a PF, Thiago Miranda coordenava ações em redes sociais para atingir pessoas escolhidas por Vorcaro, financiadas com recursos do esquema de fraudes financeiras do Banco Master. A polícia identificou a centralidade do papel de Miranda no recrutamento de influenciadores, empregando táticas que podem configurar assédio e intimidação. O chamado "Projeto DV" (em referência a Daniel Vorcaro) visava contratar influenciadores para lançar suspeitas nas redes sociais sobre o processo de liquidação do Master pelo Banco Central.
Violação de dados e monitoramento de jornalistas
A PF também descobriu que a organização criminosa violou dados sigilosos e monitorou jornalistas, como a colunista de O Globo, Malu Gaspar. O objetivo era constranger a jornalista para que ela parasse de produzir reportagens sobre os golpes do Banco Master. Em nota, O Globo repudiou a devassa ordenada na vida da colunista, afirmando que a ação visava calar a voz da imprensa e revela o modus operandi do grupo criminoso, que já havia ameaçado outro colunista do jornal.
Defesa e possíveis crimes
A defesa de Thiago Miranda afirmou que ele sempre pautou a atuação profissional pela legalidade, respeito às instituições e liberdade de expressão, e que não praticou qualquer ato criminoso ou participou de tentativa de intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de outras pessoas. Miranda agora passa a ser investigado e pode responder por crimes contra o sistema financeiro, organização criminosa, embaraço à investigação e violação de dados sigilosos.



