Estação da Linha 6-Laranja abre sem hidrante e sem laudo dos bombeiros
Linha 6-Laranja abre sem hidrante e sem laudo dos bombeiros

A Estação Freguesia do Ó, na zona norte de São Paulo, da Linha 6-Laranja de metrô, abriu ao público nesta sexta-feira, 3, sem ter ainda o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Durante as primeiras horas de operação, o térreo do edifício também não tinha hidrante instalado.

Bombeiros e Artesp justificam ausência de documentos

Segundo a corporação, o processo de obtenção do documento está em andamento. “A ausência do documento não representa risco à segurança nem interfere no funcionamento da estação”, informou em nota. A Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), responsável por fiscalizar a concessão, afirmou que a inauguração ao público ocorreu atendendo “aos requisitos mínimos exigidos pelo Corpo de Bombeiros e todos os órgãos competentes”.

Segundo a Artesp, a abertura ocorreu em operação assistida — fase de testes na qual o serviço funciona parcialmente — “com foco na segurança dos passageiros e na validação dos sistemas”. “Serviços complementares eventualmente em execução são compatíveis com essa etapa e não impactam a segurança dos passageiros tampouco o funcionamento da operação.” Já a concessionária afirma que “eventuais ajustes pontuais identificados durante esse período são tratados pelas equipes técnicas de forma contínua”.

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Outras estações também apresentam problemas

Foto registrada pela reportagem às 11h38 desta sexta-feira, 3, mostra que a estação abriu ao público às 10h ainda sem hidrante no térreo. Nas outras estações, a reportagem não verificou falta de hidrantes ou extintores. Mas todas possuíam áreas ainda em obra cobertas com tapumes, equipes da Acciona trabalhando em reparos de equipamentos e só parte das escadas rolantes operando. Na maioria das unidades, ainda não havia bancos e faltavam acabamentos, como limpeza de rejuntes e instalação de sinalizações e adesivos com informações da linha.

Na João Paulo I, reparos envolvendo eletricidade em uma escada rolante foram realizados enquanto os passageiros ainda desembarcavam da plataforma. Enquanto isso, um aviso sonoro alertava: “pedimos a todos que aguardem no meio do mezanino e não permaneçam na região das escadas para sua segurança”.

Estação Sesc-Pompeia sem escadas rolantes e elevador

Às 13h desta sexta, a plataforma de embarque e desembarque da estação Sesc-Pompeia não tinha nenhuma escada rolante operando, seja para subir ou para descer, nem elevador. Era necessário subir os 40 degraus da escada comum. A porta automática da plataforma de todas as estações também ainda não está funcionando. Nesta primeira etapa, somente a entrada principal de cada estação estará aberta. O canteiro de obras segue nos outros acessos, com escavadeiras e maquinário pesado.

Antecipação às vésperas do período eleitoral

A entrega da primeira fase da linha, com oito estações, estava prevista para outubro. Mas a abertura de seis paradas foi antecipada em quatro meses. A data coincide com o limite para políticos participarem de inaugurações de obras. A restrição da lei eleitoral vale a partir deste sábado, 4 — três meses antes do 1.º turno, em outubro, quando o governador vai disputar a reeleição. “O pessoal critica quando antecipa, né? É bom antecipar, o cidadão vai ganhar com isso. Vínhamos falando há muito tempo com a Acciona sobre antecipar o máximo que pudéssemos”, respondeu o governador ao ser questionado pela imprensa sobre a proximidade com o prazo eleitoral.

Tarcísio lembrou que a obra era para ter ficado pronta em outubro de 2025. Mas um imprevisto no solo da estação Higienópolis-Mackenzie fez o prazo ser prorrogado: a entrega parcial foi adiada para outubro de 2026 e a completa, para outubro de 2027. Entretanto, devido a uma cláusula no contrato de concessão, o governo ‘divide’ o risco de atrasos — ou seja, a perda de arrecadação decorrente da linha ainda não estar funcionando. Dessa forma, o Estado precisa pagar à concessionária o valor correspondente à receita com as passagens que a empresa teria durante os meses em que a linha atrasou. Na prática, isso representa um gasto extra de R$ 3,6 bilhões aos cofres públicos.

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“Se antecipo a operação, a conta fica menor porque conseguimos fazer receita antes. Quanto mais antecipa, mais economiza”, defendeu Tarcísio. “Se podemos antecipar um cronograma, é óbvio que vamos antecipar.”

Funcionamento parcial e integração paga

O trajeto completo com 15 estações só sai em outubro de 2027. A operação inicial será com seis paradas em formato de teste, com horário reduzido e velocidade menor. A linha ficará fechada aos fins de semana e em feriados. Durante o período de testes, o transporte será gratuito para quem circular apenas pela Linha 6 — justamente por essa estar funcionando parcialmente. Segundo o governo, levará cerca de 19 minutos para ir da João Paulo I à estação Perdizes, viagem que dura aproximadamente 1h de ônibus.

Na estação Água Branca, será possível acessar a Linha 7-Rubi do trem — mas a conexão será paga durante a fase de testes. O passageiro terá de sair da estação de metrô, caminhar pela rua para só então passar pelas catracas do trem, quando serão cobrados R$ 5,40. Isso ocorrerá apenas na operação parcial. Quando começar a operação plena, a integração será gratuita. Haverá a cobrança para embarque na Linha 6-Laranja e, dessa forma, não será necessário pagar para fazer a transferência.

Por enquanto, não há baldeação direta, por meio de um caminho interno conectando as duas linhas. No futuro, haverá um túnel ligando os dois ramais na Água Branca. A construção da estrutura é responsabilidade da concessionária TIC Trens, responsável pela Linha 7, mas não há previsão para entrega. Enquanto isso, a empresa vai construir uma passarela entre as duas linhas — mas a obra só deve estar pronta no começo de 2027. Até lá, o passageiro terá de cruzar os trilhos do trem. Até janeiro, também será entregue uma conexão temporária com a Linha 11-Coral. Hoje, o ramal só vai até a Barra-Funda.

Próximas etapas e expansão futura

Em outubro deste ano, a Linha 6-Laranja ganha mais duas estações: Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado, na zona norte. A única que faltará na região é a Maristela, adiada para o próximo ano devido a dificuldades na escavação. Também ficou para o próximo ano o trecho entre Perdizes e São Joaquim. O prazo para a conclusão do traçado é até outubro de 2027. A Estação 14-Bis-Saracura, porém, pode ficar para depois desse prazo, segundo o governo. Isso ocorre após atrasos motivados por descobertas arqueológicas de um antigo quilombo na região da Bela Vista, na região central.