O aumento das importações de calçados reduziu o potencial de geração de empregos da indústria brasileira no primeiro semestre de 2026. Segundo estimativa da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o setor deixou de criar 7,8 mil postos de trabalho diretos no período.
Importações em alta
As importações somaram 25,9 milhões de pares entre janeiro e junho, alta de 15,9% em relação a igual período do ano passado, movimentando US$ 307 milhões. A Ásia concentrou 87,2% dos pares importados, com destaque para a China, principal origem dos produtos.
Exportações em queda
Enquanto as importações avançam, as exportações brasileiras de calçados seguem em queda. No primeiro semestre, os embarques ao exterior somaram 49 milhões de pares e US$ 408,2 milhões, recuos de 7% em volume e de 17,9% em receita. Com isso, o saldo comercial do setor caiu 55,1% e registrou o menor resultado para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1997.
Mercado interno pressionado
“A indústria brasileira enfrenta simultaneamente um mercado interno pressionado, perda de receita externa e aumento da concorrência importada em detrimento do calçado brasileiro”, afirma o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira. Segundo ele, parte dessa competição ocorre por meio de práticas consideradas desleais pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Estados Unidos como principal destino
Os Estados Unidos seguiram como principal destino do calçado brasileiro, mesmo diante das tarifas de importação aplicadas ao produto nacional. No semestre, foram exportados 5,6 milhões de pares ao mercado americano, queda de 3,6%, com receita de US$ 85,25 milhões.



