PF investiga origem de suspeita de cocaína em carga de madeira retida na fronteira
PF investiga origem de suspeita de cocaína em madeira

A Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar a origem da informação que levou à retenção de uma carga de 260 toneladas de madeira na fronteira do Brasil com a Bolívia, entre Corumbá (MS) e Cáceres (MT), após suspeitas de que estaria impregnada com cocaína. A corporação busca esclarecer como foi gerada a comunicação que resultou na retenção cautelar e na atuação conjunta dos órgãos de fiscalização.

Compartilhamento de inteligência internacional

Segundo a Receita Federal, a carga foi retida após o recebimento de informações de inteligência compartilhadas pela Drug Enforcement Administration (DEA), dos Estados Unidos, e pela Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN), da Bolívia. Os dados indicavam fortes indícios de contaminação da madeira com cloridrato de cocaína. Com base nisso, equipes da Aduana Boliviana e da FELCN solicitaram o retorno da carga ao território boliviano para medidas de controle, o que foi considerado uma situação incomum, já que a mercadoria já havia ingressado regularmente em recinto aduaneiro brasileiro.

Testes preliminares e laudo negativo

Durante a fiscalização, a Receita Federal e a FELCN realizaram narcotestes preliminares que indicaram possível presença de cocaína. Contudo, em 22 de julho, a Polícia Federal divulgou laudo pericial que atestou resultado negativo para cocaína e outras substâncias de interesse forense em todas as amostras analisadas. Apesar disso, a investigação não foi concluída, pois ainda faltam laudos do Instituto Nacional de Criminalística. Por isso, a PF instaurou o inquérito para dar continuidade às apurações.

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Operação Timber Shield

A apreensão ocorreu no âmbito da Operação Timber Shield, realizada pela Receita Federal em parceria com a Polícia Federal, o Exército Brasileiro e órgãos de inteligência dos EUA e da Bolívia. Foram fiscalizadas cerca de 260 toneladas de madeira transportadas em oito caminhões – quatro interceptados em Corumbá e quatro em Cáceres. A carga permanece retida até a conclusão das análises e perícias pendentes.

Nota da Receita Federal

Em nota, a Receita Federal esclareceu que a retenção teve natureza cautelar e foi baseada em informações de organismos internacionais e em testes preliminares. O órgão afirmou: “As informações indicavam fortes indícios de possível contaminação da mercadoria com cocaína... Diante do conjunto de informações de inteligência e dos resultados dos testes preliminares, a Receita Federal procedeu à retenção cautelar da carga e comunicou imediatamente o fato à Polícia Federal”. A nota também informa que eventual pedido de ressarcimento dos custos de armazenagem poderá ser apresentado pela via administrativa, sujeito à comprovação dos prejuízos e à análise caso a caso.

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