Delegado detalha caso de pastor atropelado e morto no Acre
Pastor atropelado e morto: delegado detalha caso no Acre

O delegado Jadson Santos, responsável pelo caso do pastor João Bosco Cordeiro da Silva, de 68 anos, atropelado e morto em Cruzeiro do Sul, no Acre, revelou novos detalhes sobre o acidente. O motorista, que conduzia uma caminhonete, afirmou às autoridades que estava sonolento no momento do ocorrido, o que teria causado a perda de controle do veículo. O acidente aconteceu na Avenida Coronel Mâncio Lima, no bairro Formoso.

Motorista prestou socorro e foi liberado

De acordo com o delegado, o condutor foi ouvido e liberado em seguida. Ele deve ser indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Jadson Santos destacou que, após bater no pastor, o motorista parou o carro mais à frente e prestou socorro à vítima. Inicialmente, a polícia havia sido informada de que o condutor tinha fugido do local, mas ele se apresentou voluntariamente na delegacia para prestar depoimento.

“Ele pediu para ligarem para o Samu, que chegou em cerca de 15 a 20 minutos. A vítima recebeu atendimento no local, foi entubada e encaminhada ao Hospital do Juruá. O motorista informou que estava um pouco sonolento no momento, por isso perdeu o sentido, vindo da via”, detalhou o delegado.

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Imagens de câmeras comprovam assistência

Jadson Santos explicou que o Código de Trânsito Brasileiro impede a prisão em flagrante quando a pessoa se apresenta voluntariamente e presta socorro integral à vítima. Câmeras de segurança confirmaram a assistência do motorista. “Nós o ouvimos e fomos imediatamente coletar as imagens, que confirmaram exatamente isso. Inclusive, ele sinalizou o local com cones, pegou cones de uma oficina próxima e providenciou cobertura de papelão para proteger a vítima do sol”, afirmou.

Teste do bafômetro deu negativo

Além do motorista, a mãe e o irmão dele também estiveram no local. O suspeito e a mãe, proprietária do veículo, realizaram exame de bafômetro, que deu negativo para consumo de álcool. O carro passou por perícia. “Já instauramos o inquérito por portaria e daremos continuidade às investigações, corroborando outras informações trazidas pelo condutor”, disse o delegado.

Vítima voltava da barbearia

O pastor João Bosco havia ido a uma barbearia na tarde de terça-feira e estava voltando para casa quando foi atropelado. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que ele caminhava próximo à calçada. A caminhonete dobra a esquina e segue pela rua, mas ao se aproximar do idoso, o motorista muda a direção, vai para o lado da calçada e atinge o pastor. Com o impacto, João Bosco é jogado para cima e cai desacordado no chão.

A vítima foi levada em estado grave para o Hospital do Juruá pelo Samu e morreu no início da noite na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A família, após assistir ao vídeo do acidente, registrou um boletim de ocorrência na delegacia.

Família relata os últimos momentos

Maria Rocilene, de 46 anos, filha do pastor, contou que o pai também trabalhava como pedreiro e carpinteiro. No dia do acidente, ele estava em uma obra no quintal da família. Como o material havia acabado, os familiares saíram para comprar tinta e cimento, e João foi cortar o cabelo. “Como já eram 11 horas, na correria, eu tinha que pegar meu menino na escola. Disse para ele: ‘Pai, lhe deixo lá na barbearia. Quando eu pegar ele [filho] na escola, volto para buscar o senhor. Se o senhor terminar antes de eu chegar, o senhor me liga’”, relembrou.

Maria foi buscar o filho e deixou o pai na barbearia. Segundo ela, o pai terminou antes dela sair da escola, mas não ligou e foi caminhando para casa. “Deu um certo horário e ele não ligava. Quando fui pegar o telefone para ligar, perguntar se já tinha terminado, uma moça me ligou dizendo que um cara tinha atropelado ele”, disse.

Ao saber do acidente, a filha foi para o hospital, mas o pai ainda não havia chegado. Apavorada, ela foi ao local e soube que os médicos tentavam entubar o idoso para levá-lo ao hospital. “A doutora disse que pela pancada, ele morreu ali mesmo no local. O que estava funcionando era só o coração. O cérebro dele já tinha parado, porque foi muito forte [a queda]”, lamentou.

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