A ameaça de Paolo Maldini de pedir demissão do cargo de diretor da seleção italiana, caso Andrea Pirlo não seja contratado como novo técnico, aprofunda a crise no futebol do país. A Itália ficou fora da terceira Copa do Mundo consecutiva, e a escolha do treinador se tornou um novo ponto de tensão.
Maldini e a escolha de Pirlo
Maldini, que assumiu o cargo no último dia 11 de março, recebeu carta branca do presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Giovanni Malagò, para escolher o novo comandante. Após a recusa de Pep Guardiola, o ex-zagueiro optou por Pirlo, ex-meia e ídolo da seleção. No entanto, a contratação foi ameaçada pela relação comercial de Pirlo com uma casa de apostas russa, da qual ele é garoto-propaganda.
De acordo com o jornal Gazzetta dello Sport, Maldini está disposto a deixar o cargo com menos de um mês se sua escolha não for respeitada. Ele chegou acompanhado de Leonardo, que atua como conselheiro, e a dupla tem pressionado pela efetivação de Pirlo.
Ligação com a Rússia gera polêmica
Pirlo é atualmente treinador do United FC, dos Emirados Árabes Unidos, clube de propriedade do russo Sergey Lomakin, também ligado à mesma casa de apostas. A associação de Pirlo com a Rússia tem sido criticada por políticos italianos, que consideram inapropriado ter à frente da seleção alguém ligado a um país que enfrenta sanções devido à guerra na Ucrânia. A Itália é uma das nações que fazem oposição ao regime de Vladimir Putin.
Malagò passou as últimas horas analisando documentos sobre o vínculo de Pirlo com a casa de apostas e deve comunicar sua decisão em breve. A FIGC quer garantir que não haja impedimentos jurídicos ou constrangimentos futuros.
Pirlo rebate críticas
Neste domingo, Pirlo expressou "grande amargura" com a situação e rebateu as críticas em relação à sua parceria comercial. "Sinto grande amargura por ter meu nome associado a algo negativo. Sempre agi com transparência", afirmou o ex-jogador, em declaração reproduzida pela imprensa italiana.
sua equipe já informou à FIGC que Pirlo pode encerrar o contrato com o United FC sem impedimentos, o que tornaria nula também a parceria com a casa de apostas. No entanto, a federação busca segurança total antes de oficializar a contratação.
Crise se aprofunda
Essa novela ocorre em um momento delicado para a seleção italiana, que não se classifica para uma Copa do Mundo desde 2014. A ausência em três edições consecutivas (2018, 2022 e 2026, já que a próxima será em 2026) é um recorde negativo para a tetracampeã mundial. A pressão sobre a FIGC é enorme, e a escolha do técnico é vista como crucial para a reconstrução.
Maldini, ídolo maior do futebol italiano, é um nome de peso, e sua possível saída seria mais um golpe na credibilidade da federação. "Se eu não tiver minha escolha respeitada, não faz sentido continuar", disse Maldini, segundo fontes próximas.
A decisão de Malagò é aguardada com ansiedade. Enquanto isso, a Itália segue sem técnico e sem rumo, aprofundando a crise que já dura uma década.



