Oficiais condenados por tortura e morte de Amarildo permanecem na PM
Oficiais da PM condenados por morte de Amarildo continuam na corporação

Os dois oficiais da Polícia Militar condenados pela sessão de tortura que culminou com a morte do ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza, em julho de 2013, na Rocinha, vão permanecer na corporação. A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu extinguir o Conselho de Justificação (CJ) — processo administrativo que avalia a conduta de oficiais acusados de crimes — a que respondiam o major Edson Raimundo dos Santos e o tenente Luiz Felipe de Medeiros, devido à prescrição do caso.

Decisão judicial e consequências

Com a extinção do processo administrativo, o major Santos, ex-comandante da UPP Rocinha e apontado como mandante do crime, passou para a reserva e continuará recebendo aposentadoria do Estado. Já o tenente Medeiros, ex-subcomandante da unidade, permanece na ativa, lotado no Comando de Operações Especiais (COE). Os desembargadores também restabeleceram o porte de armas de ambos, que estava suspenso desde 2013.

Prescrição e recursos judiciais

De acordo com a lei, o Conselho de Justificação deve durar no máximo seis anos, contados da data do crime. Diferentemente dos praças, que podem ser expulsos por decisão do comandante-geral, a conduta dos oficiais é analisada por desembargadores. No caso de Santos e Medeiros, o processo administrativo foi aberto em decorrência da condenação criminal por tortura e encaminhado pela PM ao Tribunal de Justiça em 2015. Em julho de 2016, a 2ª Câmara Criminal julgou ambos “incapazes de permanecer nos quadros da corporação”. No entanto, a decisão não foi cumprida naquele ano devido a uma série de recursos impetrados pela defesa.

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Em 2020, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) coibiu a estratégia jurídica, determinando aos oficiais o pagamento de multa de dez salários mínimos pelo “uso reiterado de medidas judiciais e recursos como forma de impor resistência injustificada ao andamento processual”. Os recursos só se esgotaram em fevereiro de 2022, mais de oito anos após o crime. Este foi o segundo Conselho de Justificação a que os oficiais respondiam que prescreveu. Em setembro de 2022, outro processo aberto para analisar a condenação de Santos por corrupção de testemunha teve o mesmo desfecho.

Situação atual dos oficiais

Atualmente, não há mais nenhum processo administrativo contra a dupla em andamento. O major Edson Santos cumpre, em regime aberto, as penas de 16 anos e três meses pelos crimes de tortura seguida de morte e ocultação de cadáver, além de quatro anos por corrupção de testemunhas. Em setembro de 2024, ele foi transferido para a reserva por decisão do então secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes. Em junho passado, sua aposentadoria bruta foi de R$ 26.858,21.

O tenente Luiz Felipe de Medeiros terminou de cumprir a pena de dez anos e sete meses a que foi condenado em maio passado e voltou a trabalhar. A corporação informou que ele não participa de operações e atua na área administrativa. Apesar da condenação, Medeiros está apto a ser promovido e não há impedimento para que volte a atuar nas ruas ou exerça cargos de comando.

Repercussão e posições

Procurado, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro afirmou que o Conselho de Justificação tramitou em segredo de justiça. A defesa dos policiais militares não quis se pronunciar sobre o caso. A decisão gerou indignação entre familiares de Amarildo e movimentos de direitos humanos, que criticam a impunidade e a manutenção de condenados por tortura nos quadros da PM.

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