Em uma operação conjunta na manhã desta segunda-feira (27), forças de segurança e agentes da assistência social da Prefeitura de Bauru (SP) atuaram contra furtos e roubos na cidade, com foco na região central, onde os casos são mais recorrentes. A ação também ocorreu na Praça Rui Barbosa, no Sambódromo (bairro Altos da Cidade) e na Estação Ferroviária, resultando em abordagens a dezenas de pessoas em situação de rua.
Abordagens e acolhimento social
Segundo o capitão Lucas Freitas, da Polícia Militar, cerca de 90% dos autores de furtos em Bauru são pessoas em situação de rua. "Ter o apoio dos demais órgãos nos ajuda a qualificar essas pessoas, encontrar procurados e dar encaminhamento para que saiam da vulnerabilidade", afirmou. Durante a operação, policiais militares e civis realizaram abordagens enquanto equipes de assistência social ofereciam acolhimento e encaminhamento a serviços municipais.
Limpeza urbana e retirada de vagões
Além do trabalho policial, a prefeitura executou serviços de limpeza urbana na Estação Ferroviária. A prefeita Suéllen Rosim acompanhou a ação e anunciou que obteve autorização da concessionária Rumo para retirar vagões inativos abandonados nos trilhos, apontados como pontos de consumo de drogas e homicídios. "Já conversamos com a Rumo e há o compromisso e a autorização para a retirada deles nos próximos meses", declarou.
A Rumo informou, em nota, que mantém um programa contínuo de destinação de vagões inativos. Em reunião com a prefeitura na semana passada, apresentou o planejamento para Bauru, após operações já iniciadas em Mairinque e Sorocaba. Na região, há 328 vagões mapeados: 213 já liberados para corte e 115 que aguardam autorização da ANTT e do DNIT por serem bens da União.
Crise de segurança e protestos de comerciantes
Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) indicam que Bauru registrou média superior a 400 furtos por mês nos primeiros cinco meses do ano, com pico de 487 ocorrências em janeiro, o maior desde novembro de 2021. Em protesto, comerciantes colaram cartazes com a palavra "luto" nas fachadas, criticando a falta de segurança.
O comerciante Henrique Matsuoka, que mantém uma pastelaria no centro há 26 anos, afirma que pela primeira vez cogita fechar ou mudar de endereço. "A gente trabalha, paga imposto certinho todo mês e chega aqui sem conseguir trabalhar. Já estou há 26 anos e essa é a primeira vez que penso em parar, porque não temos mais segurança", lamentou.
A operação desta segunda-feira representa um esforço integrado entre Polícia Militar, Polícia Civil e Assistência Social, visando não apenas reprimir, mas também oferecer alternativas sociais para reduzir a vulnerabilidade que alimenta a criminalidade na região central de Bauru.



