Mulher de 37 anos que fingiu ser adolescente é indiciada em SC
Mulher que fingiu ser adolescente é indiciada em SC

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu, nesta sexta-feira (5), o inquérito sobre a mulher de 37 anos que fingiu ter 12 anos e passou 14 meses vivendo como filha adotiva na casa de uma família em Joinville (SC). Amanda Maria Souza de Oliveira foi indiciada e responderá pelos crimes de falsa identidade e estelionato.

Confissão e outros golpes

Em depoimento à polícia, Amanda confessou que, além de Joinville, aplicou o mesmo golpe em Curitiba (PR), Nova Iguaçu (RJ), e nos estados de Minas Gerais, Goiás e Ceará. Em Santa Catarina, a polícia investiga outros dois casos em Florianópolis e Chapecó. A prisão preventiva foi decretada pela Justiça catarinense na tarde de quarta-feira (3).

Investigação e exame psiquiátrico

O inquérito foi finalizado e encaminhado à Justiça. Agora, o Ministério Público de Santa Catarina decidirá se apresenta denúncia, solicita novas diligências ou pede o arquivamento do caso. A defesa de Amanda, feita pelo advogado Rafael Luiz Siewert, informou que aguarda a realização do exame psiquiátrico, autorizado pela Justiça na última quarta-feira (3). A data ainda não foi marcada. “Eu fiz esse pedido porque há informação nos autos de que, em um determinado momento em que ela foi presa, ela estava com 200 agulhas sobre a pele. Isso me chamou a atenção. Atrelado a isso, ela apresentava lesões no corpo”, declarou o advogado.

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O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) já havia pedido um exame de sanidade mental da mulher em novembro de 2024, quando ela procurou atendimento no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, e profissionais identificaram agulhas dentro do corpo dela. O pedido não foi acatado na época. Em setembro de 2025, a promotoria afirmou que a solicitação havia sido cancelada e justificou que a mulher não tinha endereço ou qualquer forma de localização. A suspeita é de que a mulher tenha saído de Florianópolis e ido morar com a família em Joinville.

Como a golpista encontrou a família de Joinville?

A aproximação de Amanda, que se apresentava à família sob o nome falso de Gabriele, começou de forma sutil através da intermediação de um pastor de uma igreja local. Ao se apresentar, disse inicialmente que tinha 18 anos, experiência em panificação e que estava em busca de uma oportunidade de emprego. Com o passar do tempo, a suspeita começou a relatar graves problemas de saúde e extrema dificuldade financeira, o que sensibilizou a família e fez com que eles a acolhessem em casa.

Depois que conseguiu conquistar a total confiança dos moradores, a mulher alterou drasticamente sua narrativa. Ela afirmou que, na verdade, tinha apenas 11 anos, alegando ainda ter sido vítima de abusos. Assim, foi convidada pelo casal para morar na casa. O casal só procurou a polícia na semana passada, após a denúncia de um parente levar à descoberta do crime. "Foi uma tia não distante, mas que não convivia todo dia com ela, que nunca acreditou nessa história de que ela era menor de idade e começou a pesquisar na internet. Descobriu que teve um caso muito parecido no Rio de Janeiro, com o mesmo modus operandi, e contou para o pai adotivo", comentou o delegado.

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