O chanceler Friedrich Merz prometeu, nesta segunda-feira, adotar medidas em resposta ao ataque com veículo contra a celebração do Orgulho de Berlim, enquanto cresce o debate na Alemanha sobre por que o motorista, já condenado por crimes violentos, não estava preso. O suspeito, Abdul Ballout, cidadão alemão de 21 anos, foi morto a tiros pela polícia no domingo após atropelar e matar uma mulher no parque Tiergarten, próximo ao Portão de Brandemburgo, na noite de sábado.
Medidas prometidas e reação do governo
“Ainda é muito cedo para dizer quais conclusões políticas tiraremos desse ataque brutal. … Teremos que responder com prudência, mas também com determinação”, declarou Merz em coletiva de imprensa. Ele encarregou o ministro federal do Interior de analisar a possibilidade de alteração da jurisdição sobre a vigilância de criminosos condenados, que atualmente é responsabilidade dos estados regionais. O chanceler também questionou como o suspeito conseguiu se aproximar do local do evento, apesar de supostamente estar sob vigilância constante.
Detalhes do ataque e do suspeito
Ballout, alemão de origem libanesa, nascido e criado em Berlim, segundo o ministro do Interior, havia sido condenado em maio por preparar um ato grave de violência que colocava em risco o Estado. A pena, nos termos da legislação juvenil, foi de um ano e 10 meses de prisão, mas ele foi libertado sob supervisão de um agente de liberdade condicional por seis meses, após o tribunal adiar a decisão sobre a suspensão da pena. O Ministério Público recorreu, buscando pena mais longa. Acredita-se que Ballout tentou se juntar ao grupo militante Estado Islâmico.
A vítima fatal foi identificada pelo Ministério das Relações Exteriores da Polônia como uma mulher polonesa de cerca de 60 anos. A polícia informou que abriu fogo contra Ballout no domingo, quando ele correu em direção aos policiais armado com uma arma branca.
Investigação e liberação de suspeito
Um segundo suspeito detido em conexão com o ataque foi liberado nesta segunda-feira, conforme informou o Ministério Público Federal alemão. A revista Spiegel citou fontes afirmando que a suspeita inicial de que ele fosse um passageiro do veículo usado no ataque não pôde ser confirmada.
O episódio reacendeu o debate sobre falhas no sistema de vigilância e punição de criminosos condenados na Alemanha, especialmente após a revelação de que Ballout estava em liberdade condicional mesmo após condenação por preparar atos violentos. O governo federal agora estuda alterar a jurisdição para centralizar o monitoramento de casos de alto risco.



