A estudante de Direito Ellen Lorraine Trindade Mateus, de 27 anos, foi solta pela Justiça no dia 24 de julho após passar 22 dias presa suspeita de integrar uma organização criminosa que movimentou R$ 7 milhões com golpes em contas de luz. A decisão de soltura foi expedida pela juíza Cristiane Moreira Lopes Rodrigues, que atendeu ao pedido da defesa mediante certidão de autenticidade.
O esquema do golpe
Segundo o delegado Breno da Costa Esteves, da Polícia Civil do Amapá, o grupo criou um site falso para interceptar pagamentos de contas de energia elétrica. "Eles criaram um site falso e o pessoal começou a pagar conta achando que estava pagando a conta de energia e estava, na verdade, pagando a conta para eles", explicou o delegado. A investigação, que durou seis meses, apontou que Ellen tinha envolvimento direto com o líder do grupo, atuando como operadora na busca de CPFs para alimentar o esquema.
Defesa alega erro judicial
A defesa de Ellen, representada pelo advogado Jean Tavares, alega que a jovem foi vítima de um erro judicial, com seu nome confundido com o de outra mulher chamada "Lorraine", que seria a verdadeira integrante da organização criminosa. O pai de Ellen, João Vilmar, afirmou: "Ela está pagando por um crime que não cometeu". A mãe, Iris Alves, complementou: "Pegaram o nome da minha filha, arrumaram um nome e jogaram para cima dela". A defesa informou que a prisão ocorreu em 2 de julho, em Trindade, e que Ellen ficou detida na Penitenciária Feminina de Aparecida de Goiânia.
Polícia nega confusão
A Polícia Civil do Amapá emitiu nota oficial refutando veementemente a alegação de troca de identidade. "A prisão foi cumprida contra a pessoa corretamente identificada no procedimento investigativo, não havendo confusão de identidade ou equívoco no cumprimento da ordem judicial", diz o texto. A corporação destacou que o caso foi submetido a análise do Ministério Público e do Poder Judiciário, e que medidas cautelares não são tomadas com base em informações superficiais. A nota ainda classifica a divulgação de suposta prisão indevida como "informação falsa" que compromete a credibilidade das instituições.
Próximos passos
Com a soltura, a investigação prossegue. O advogado Jean Tavares explicou que as próximas etapas incluem a conclusão do inquérito policial e o envio do caso ao Ministério Público para eventual denúncia. A defesa já prepara medidas para comprovar a suposta confusão de nomes, enquanto a polícia reafirma que não houve erro. O caso segue gerando controvérsia entre a versão da família e a apuração oficial.



