Justiça de MS torna réus 17 investigados na Operação Gutenberg
Justiça de MS torna réus 17 investigados na Operação Gutenberg

A Justiça de Mato Grosso do Sul aceitou a denúncia do Ministério Público estadual (MPMS) e tornou réus os 17 investigados na Operação Gutenberg, deflagrada em julho. O grupo é suspeito de integrar uma organização criminosa que teria movimentado cerca de R$ 27 milhões em fraudes na venda de livros paradidáticos para prefeituras do Estado.

Esquema usava regulação da saúde como moeda de troca

Segundo o MPMS, o esquema utilizava a estrutura da regulação da saúde pública para influenciar gestores municipais durante as negociações de contratos para compra de livros. A investigação aponta que vagas em hospitais e a realização de cirurgias eram condicionadas à compra de livros da Editora Avante, empresa supostamente beneficiada pelas fraudes.

Com o recebimento da denúncia, todos os investigados passam a responder formalmente a uma ação penal, tendo direito à ampla defesa e ao contraditório. A Justiça analisará as provas apresentadas pelo Ministério Público.

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Operação cumpre mandados e prende 15 pessoas

Durante a operação, realizada em 7 de julho, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e em uma cidade de Goiás. Ao todo, 15 pessoas foram presas, e um investigado permanece foragido. Os agentes apreenderam mais de R$ 70 mil em dinheiro vivo e cheques pré-datados.

O MPMS aponta a empresária Rossana Paroschi Jafar como uma das chefes do esquema e verdadeira proprietária da Editora Avante. Ela foi presa junto com os três filhos, Olívia, Felipe e Giovanni. Outro líder apontado é Heyder Bartz, que teve a prisão decretada e segue foragido.

Fraudes em licitações e corrupção

A operação investiga suspeitas de fraude em licitações, corrupção e organização criminosa. Segundo o MPMS, servidores públicos e empresários atuavam em conjunto para favorecer empresas nas contratações de materiais paradidáticos em diversos municípios do Estado. A Coordenadoria de Regulação do SUS teria sido usada para pressionar prefeitos a fechar contratos com a editora.

Os réus negam as irregularidades e terão oportunidade de apresentar defesa ao longo da ação penal. O processo seguirá com produção de provas, depoimentos e demais etapas antes de uma eventual sentença.

Crimes imputados aos denunciados

Os denunciados responderão por diferentes crimes, conforme o MPMS:

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  • Rossana Paroschi Jafar – organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
  • Rhayane Souza Fanaia – organização criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Giovanni Paroschi Jafar – organização criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Olívia Paroschi Jafar – organização criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Felipe Paroschi Jafar – organização criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Heyder Bartz – organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
  • Francisco Anízio dos Santos – organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
  • Ed Carlo Britto Burgatt – organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
  • Jessyca Duarte Burgatt – organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
  • Gabriel Taquino de Paula – organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
  • Paulo Rogério de Melo – organização criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Douglas Henrique Melo – organização criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Matheus Oliveira Peixoto – organização criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Joatan Gomes Peixoto – organização criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior – organização criminosa e lavagem de dinheiro;
  • Valesca Thais Albuquerque Teixeira – organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Investigação aponta sucessão familiar

O grupo é apontado como uma sucessão familiar do esquema investigado anteriormente na Operação Lama Asfáltica, mantendo modelos similares de atuação sob o comando de Rossana Paroschi Jafar. As investigações são conduzidas pelo Gaeco, que segue aprofundando os levantamentos sobre a atuação do grupo nos municípios afetados.