Um terremoto de magnitude 4,7 atingiu nesta sexta-feira (31) a região de Campi Flegrei, próximo a Nápoles, no sul da Itália, deixando ao menos 26 feridos e provocando evacuações em massa. O abalo, registrado às 19h46 (horário local), durou vários segundos e foi sentido também na ilha de Ischia e na península de Sorrento.
O tremor foi o mais forte dos últimos 40 anos na região, segundo o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália (INGV). Campi Flegrei abriga a maior cratera vulcânica da Europa, e a atividade sísmica na área é monitorada de perto pelas autoridades.
Danos em Pozzuoli e Nápoles
A cidade de Pozzuoli, a mais próxima do epicentro, sofreu danos no píer, além da queda de parte de uma falésia e do desabamento de diversos edifícios desocupados. A força do tremor também causou apagões e interrompeu o transporte público.
Em Nápoles, um poste de alta tensão caiu na região de Agnano, afetando o fornecimento de energia para 100 mil residências, conforme relataram os bombeiros. As balsas e hidrofólios para as ilhas foram suspensos, e os trens de alta velocidade registraram atrasos de até seis horas.
Cerca de 300 pessoas foram retiradas de suas casas após deslizamentos de terra. "Nove edifícios foram interditados", informaram as autoridades.
Feridos e resgate
Cinco dos 26 feridos precisaram ser hospitalizados. "Uma pessoa está viva por milagre", afirmou um socorrista à Reuters, destacando a gravidade de alguns atendimentos. As equipes de resgate trabalharam durante a noite para atender as ocorrências.
Os bombeiros também atuaram na queda do poste de alta tensão e na remoção de escombros. A Defesa Civil montou pontos de acolhimento para os desabrigados.
Enxame sísmico em curso
O INGV informou que o evento faz parte de um "enxame sísmico" ativo. Após o abalo principal, os sismógrafos registraram cerca de 60 réplicas, uma delas de magnitude 3,1 na manhã deste sábado (1º). Um enxame sísmico é caracterizado por uma sequência de abalos em uma mesma área em um curto intervalo de tempo.
O ministro da Proteção Civil, Nello Musumeci, pediu cautela e alertou que a atividade vulcânica na região ainda não terminou. "Ainda não terminou", disse o ministro, reforçando a necessidade de manter a vigilância.
Noite de medo nas ruas
Moradores passaram a noite ao ar livre, com receio de novos desabamentos. "Estamos aqui com crianças muito pequenas e ninguém veio nos orientar", disse um residente, evidenciando a angústia e a falta de assistência imediata.
As autoridades locais seguiram monitorando a região enquanto novas réplicas eram registradas. A recomendação é que a população evite áreas de risco e siga as orientações da Proteção Civil.



