O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto de Castro, determinou a demissão de quatro policiais penais. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (30). Os agentes foram desligados após parecer da Corregedoria da Secretaria de Polícia Penal, que concluiu processos administrativos disciplinares (PADs) contra eles.
Demitidos e investigações
Os demitidos são João Paulo de Souza Nascimento, Denilson Barbosa, Diego Leite de Araújo e Adriano Moraes da Cunha. Todos eram alvos de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro por envolvimento com a facção criminosa 'Povo de Israel', que atua dentro dos presídios fluminenses. O grupo, formado há 20 anos, domina atualmente cerca de 18 mil detentos em 13 unidades prisionais, o equivalente a 42% da população carcerária do estado, segundo os investigadores.
Esquema de propina e golpes
Em 2024, João Paulo e outros quatro policiais penais foram alvos de uma operação contra a ação criminosa de presidiários que utilizavam telefones celulares para aplicar golpes. A quadrilha movimentou quase R$ 70 milhões em dois anos, com a maior parte desse valor proveniente de golpes do falso sequestro e outras fraudes por celular. As investigações apontaram que os bandidos contaram com a ajuda de policiais penais, que receberam propina de aproximadamente R$ 400 mil para facilitar a entrada dos aparelhos nas cadeias.
Fiscalização falha
O esquema revelou falhas na fiscalização das unidades prisionais. Quem deveria impedir a entrada de celulares não realizava o controle adequado, permitindo que os criminosos continuassem agindo de dentro dos presídios. Por determinação da Justiça do Rio, João Paulo e os outros policiais penais investigados foram afastados de suas funções antes da demissão definitiva.
Impacto e medidas
A demissão dos quatro agentes representa um avanço no combate à corrupção no sistema prisional do Rio. A facção 'Povo de Israel' é uma das mais poderosas do estado, controlando quase metade da população carcerária. A Secretaria de Polícia Penal afirmou que continuará investigando outros casos de envolvimento de servidores com o crime organizado.



