A Polícia Militar apreendeu, nesta quinta-feira (18), um fuzil que pode ter sido utilizado no ataque que baleou o vereador Cabo Deyvison (PL) e matou um assessor dele em Mossoró, no Rio Grande do Norte. O armamento era procurado pela polícia, que, no dia do crime, havia encontrado um carregador de fuzil em um carro abandonado usado pelos criminosos.
Detalhes da apreensão
O fuzil de calibre 5.56, mesmo calibre da munição encontrada anteriormente, foi localizado na Comunidade Maísa, uma região de divisa com o estado do Ceará. A arma estava enterrada no terreno. Além do fuzil, uma pistola ponto 40 também foi apreendida no local. Segundo a PM, o material foi encaminhado à delegacia para perícia técnica. As diligências continuam na região para esclarecer os fatos.
O atentado
O ataque ocorreu na noite de segunda-feira (15), em frente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Mossoró, enquanto o vereador fazia uma transmissão ao vivo. Cabo Deyvison foi baleado nas pernas e ficou com uma bala alojada. Ele ficou internado, mas recebeu alta na quarta-feira (17). O assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais, de 37 anos, foi atingido nas costas e morreu no local.
Prisões no Ceará
Dois homens suspeitos de participação no crime foram presos em Beberibe, no Ceará, na terça-feira (16). Segundo apuração do g1, os suspeitos trafegavam em um táxi saindo de Mossoró quando foram abordados por uma equipe da Polícia Militar de Beberibe na CE-040, próximo ao distrito de Parajuru. A abordagem teve apoio de uma equipe do Raio e de um helicóptero das forças de segurança do Ceará. A PM do Rio Grande do Norte informou que, após o crime, contatou imediatamente a PM do Ceará para interceptar o veículo. No momento da prisão, os suspeitos confessaram a participação direta no ataque.
Uma terceira pessoa havia sido presa em Mossoró na quarta-feira (17). Inicialmente, a PM apontou que o suspeito teria atuado como motorista do carro de onde os disparos foram efetuados. Horas depois, a Polícia Civil informou que ele foi solto por falta de elementos que comprovassem seu envolvimento. O suspeito havia sido detido em uma residência no bairro Belo Horizonte, onde a polícia encontrou duas armas (nenhuma delas o fuzil procurado) e um colete à prova de balas. A casa foi indicada pelos suspeitos presos no Ceará.
Investigação da motivação
O comandante da PM no RN, coronel Alarico Azevedo, afirmou que a Polícia Civil ainda investiga a motivação do crime. Os delegados que apuram o caso disseram que não descartam nenhuma possibilidade. Segundo o coronel, os suspeitos presos no Ceará tentaram destruir os celulares quando foram detidos, mas uma das telas exibiu um comprovante financeiro de R$ 10 mil. A origem ou destino do dinheiro não foram informados. A Polícia Civil investiga a movimentação financeira e o nome do envolvido na transação.
A Polícia Civil acredita que o alvo do ataque era o vereador. Uma das linhas de investigação apura se o crime tem relação com denúncias feitas pelo parlamentar sobre a atuação de facções criminosas na cidade.
O caso
O ataque contra o vereador Cabo Deyvison, de 37 anos, ocorreu por volta das 22h de segunda-feira, enquanto o parlamentar aguardava do lado de fora da UPA de Alto de São Manoel, em Mossoró, acompanhando uma mulher e uma criança que havia sido mordida por um cachorro. O vereador fazia uma transmissão ao vivo quando um veículo passou e os ocupantes atiraram diversas vezes contra ele. O assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Cabo Deyvison recebeu os primeiros atendimentos na UPA e foi transferido para o Hospital Regional Tarcísio Maia e, depois, para o Hospital da PM, também em Mossoró.
Em nota divulgada nas redes sociais, a equipe do vereador lamentou a morte do assessor. Deyvison Thalles Martins do Nascimento, conhecido como Cabo Deyvison, foi eleito vereador pela primeira vez em 2024. Ele é policial militar no Ceará desde 2013 e está licenciado para exercer o cargo na Câmara de Mossoró.
Após o crime, o carro suspeito de ser utilizado pelos atiradores foi encontrado abandonado no bairro Alameda dos Cajueiros e será periciado. No local do ataque, policiais encontraram um carregador de munição calibre 5.56. A polícia confirmou que armamentos de uso restrito foram empregados na ação. O delegado Renato Oliveira, responsável pelo caso, classificou o atentado como bárbaro e ressaltou que a ação colocou em risco pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde da UPA.



