Uma mulher de 37 anos presa em Santa Catarina por fingir ser adolescente já havia tentado um golpe semelhante no Sul de Minas Gerais. Em novembro de 2022, ela se apresentou ao Conselho Tutelar de Três Corações como "Ana Clara", de 13 anos, alegando ter fugido do Ceará por sofrer abusos. A história, no entanto, levantou suspeitas e foi desmentida após a verificação de dados e a identificação do CPF verdadeiro.
Como a farsa foi descoberta
Na época, a mulher, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, procurou atendimento na rede socioassistencial do município. Segundo Diego Henrique dos Santos, diretor da Proteção Básica e que atuava na rede naquele período, o primeiro contato ocorreu no CREAS, após ela ser encontrada por um motorista. "Ela chegou no equipamento nosso CREAS, através do motorista que encontrou ela na esquina. Então, a nossa equipe psicossocial da criança e adolescente fez o atendimento da suposta adolescente. E aí, encaminharam ela até a Polícia Civil para a emissão dos documentos, porque ela falou que chegou fugida de carona com o caminhoneiro e não apresentava documento algum", relatou.
Após o registro de ocorrência por falta de documentos, a mulher foi acolhida temporariamente. "Como ela precisava tomar um banho e comer, que ela estava com fome, ela foi encaminhada para o abrigo municipal, onde ela pôde tomar banho e comer", disse Diego.
Investigação e confissão
Ao longo do atendimento, a versão apresentada começou a ser questionada. Conselheiras tutelares fizeram buscas e identificaram um relato semelhante ocorrido em outra cidade. "Em outra cidade já existia um relato idêntico. Isso levantou a desconfiança da equipe", descreveu o diretor. Com isso, a Polícia Militar foi acionada e a situação passou a ser apurada. Segundo Diego, a abordagem levou a mulher a admitir a verdadeira identidade. "Quando chegamos lá, a Polícia Militar conversou com ela e ela foi acalmando e falando possíveis verdades e onde, de fato, constatamos o CPF dela e foi identificado a real identidade dela. A dirigimos para a Polícia Civil, onde foi feito um boletim de falsidade ideológica", afirmou.
Identidade revelada
De acordo com o diretor, inicialmente a mulher não fornecia informações que confirmassem a história. "Para nós ela chegou como Ana Clara, como você bem disse, e não falava o nome dos pais, data de nascimento, nada que batia com a sua identidade verdadeira. Como a polícia foi acalmando ela e conversando, mas falou da possibilidade, uma mentira do que poderia ser feito, ela pegou e contou a verdade. Onde na pesquisa com o CPF verdadeiro e data de nascimento foi de fato localizada quem era ela de verdade", disse.
Após a identificação, foi oferecida a ela uma passagem para retornar para casa, mas, segundo o relato, ela não permaneceu na rodoviária. Apesar do episódio em 2022, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que não há investigação em andamento contra a mulher no estado. Já a Secretaria de Justiça afirmou que ela não possui passagem pelo sistema prisional mineiro.



