No Japão, andares mais altos têm menos donos morando
Quanto mais alto o andar, menos proprietários moram

Em um fenômeno que desafia a lógica do mercado imobiliário ocidental, os andares mais altos dos edifícios residenciais no Japão são cada vez menos ocupados por seus proprietários. De acordo com um estudo recente da consultoria imobiliária Tokyo Real Estate Insights, a taxa de ocupação por proprietários em apartamentos nos andares superiores (acima do 20º andar) é de apenas 32%, enquanto nos andares inferiores (até o 5º andar) chega a 68%.

A lógica por trás dos números

O estudo, que analisou mais de 500 edifícios residenciais em Tóquio, Osaka e Yokohama, revela que a diferença se acentua em prédios mais altos. Em arranha-céus com mais de 40 andares, a taxa de ocupação por proprietários no topo cai para 25%. "Quanto mais alto o andar, mais o imóvel se torna um ativo de investimento, e não uma residência", explicou o analista sênior Hiroshi Tanaka, da consultoria. "Os compradores frequentemente adquirem esses apartamentos como forma de diversificar patrimônio, alugando-os para terceiros."

Impactos no mercado e no urbanismo

Esse comportamento tem implicações diretas no mercado de aluguéis e na dinâmica urbana. Os andares superiores, geralmente mais caros devido à vista e ao status, acabam gerando maior oferta de imóveis para locação, pressionando os preços para baixo em algumas regiões. Por outro lado, os andares inferiores, mais acessíveis, são ocupados por famílias que buscam moradia própria, mantendo uma comunidade mais estável.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O fenômeno também afeta a manutenção dos edifícios. "Quando a maioria dos proprietários não mora no local, há menos engajamento em questões de condomínio e conservação", observa Tanaka. "Isso pode levar à deterioração mais rápida das áreas comuns."

Comparação internacional

Em contraste, em cidades como Nova York ou Londres, os andares mais altos costumam ser os mais valorizados e ocupados por seus proprietários, muitas vezes os mais ricos. No Japão, a cultura de investimento imobiliário e a alta densidade populacional criam uma dinâmica diferente. "No Japão, o imóvel é visto como um bem líquido, algo que pode ser facilmente vendido ou alugado", afirma a economista Yuki Sato, da Universidade de Tóquio.

O estudo projeta que, com o envelhecimento da população e a preferência por moradias menores, a tendência pode se intensificar, com mais investidores adquirindo unidades em andares altos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar