Uma ex-namorada de Denis Cipriano de Carvalho Silva, preso após agredir e jogar a comerciante Gabriele Carolina Gonçalves de um carro em movimento em março de 2025 em Cajuru (SP), revelou que viveu um relacionamento abusivo com ele entre 2012 e 2016. A mulher, que preferiu não se identificar, detalhou os abusos em uma carta que foi anexada ao processo contra Denis.
Histórico de agressões
Na carta, a ex-namorada conta que, no início, Denis tinha um comportamento normal, mas com o tempo tornou-se agressivo nas palavras e atitudes. O relacionamento passou a ser conturbado, com brigas frequentes, ciúmes, possessividade e violência. Segundo ela, Denis a isolou de amigos e familiares. A mulher relata diversas agressões físicas, inclusive em locais públicos, como festas. De acordo com o relato, parentes dela também eram ameaçados por Denis.
“Lembro-me de uma vez em que, em uma discussão nossa, devido ao seu ciúme, estávamos em seu carro e ele saiu da cidade em direção à rodovia que liga Cajuru a Mococa em alta velocidade, dizendo que daria um fim às nossas vidas. Eu apenas pedia para ele não correr e não nos matar. Durante esse trajeto, ele disse que tinha mudado de ideia e que somente eu iria morrer.”
A ex-namorada ainda descreveu uma agressão sofrida quando estava com ele a caminho do sítio dos pais dele. “Ao descer do carro na estrada para abrir a porteira, ele desceu e me deu vários chutes, até que seus pais ouviram e vieram ver o que estava acontecendo. A sua mãe me ajudou, e Deus e seu pai começaram a brigar por conta do que ele estava fazendo comigo.”
Consequências do relacionamento abusivo
A mulher afirma que o relacionamento abusivo causou desgaste a ela e às duas famílias. “Terminei esse relacionamento, pois eu merecia viver uma vida normal.” A vítima alega que chegou a registrar boletim de ocorrência, mas as denúncias não avançaram na época.
O crime contra Gabriele
As agressões contra Gabriele ocorreram em janeiro de 2025, na Rua Capitão José Ferreira Diniz, no Centro de Cajuru. Segundo o Ministério Público, as investigações apontaram que o casal havia discutido durante a “Festa de São Sebastião”, um tradicional evento da cidade, e Gabriele decidiu ir embora a pé para casa, mas o namorado a seguiu até encontrá-la. As agressões ocorreram a partir de então, de acordo com o promotor de Justiça Ilo Wilson Marinho Gonçalves Júnior.
De acordo com a Promotoria, além de ter sido atingida com um soco no olho, a jovem foi puxada pelos cabelos até entrar no automóvel, onde continuou sendo agredida.
A vítima relatou que, para tentar se livrar das agressões, tentou sair do carro, mas percebeu que não conseguiria porque o veículo estava em movimento e passou a gritar por socorro até chamar a atenção de pessoas na rua. Em um determinado momento, ela contou que conseguiu abrir a porta do automóvel, e que não pulou por conta própria, mas sim foi jogada pelo namorado.
“Eu não me joguei, eu tenho certeza absoluta que eu não me joguei. Eu me lembro exatamente de tudo o que ele me fez, dele me jogar para fora. Foi difícil. É um milagre estar andando, conversando novamente. Deus foi bom comigo por me deixar viva pra eu poder contar o que houve comigo”, disse a comerciante.
A Promotoria também registrou na denúncia que, após ser arremessada do veículo em movimento, Gabriele chegou a ser arrastada por alguns metros pelo carro do agressor, porque o pé havia ficado preso no banco do automóvel. Em seguida, segundo o MP, o suspeito parou o carro, desceu e segurou a namorada de modo agressivo.
Gabriele foi socorrida com a ajuda de testemunhas e levada inicialmente para a Santa Casa de Cajuru, de onde foi transferida para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto devido à gravidade das lesões.
Andamento do processo
Denis está preso desde o crime contra a comerciante, mas por ter desrespeitado uma medida protetiva. Na época, Denis alegou que Gabriele pulou sozinha do carro em movimento. Denis será julgado por tentativa de feminicídio contra Gabriele. Na última semana, a Justiça de Cajuru (SP) deu prazo de cinco dias para que os advogados das partes entreguem a lista com as testemunhas que irão depor no julgamento, ainda sem data para acontecer. A defesa dele não foi localizada para comentar o assunto até a última atualização desta matéria.



