Pesquisa Ipsos: 43% dos brasileiros apontam crime e violência como principal problema
Crime e violência lideram preocupações no Brasil, aponta Ipsos

A menos de um mês do início oficial da campanha eleitoral, a segurança pública continua sendo a principal preocupação dos brasileiros, de acordo com a pesquisa “What Worries the World”, realizada pela Ipsos em julho. O levantamento aponta que 43% dos entrevistados citaram crime e violência como o tema mais alarmante, índice 11 pontos percentuais superior à média global de 32%.

Preocupação com segurança pública se destaca no cenário nacional

Os dados mostram que as inquietações dos brasileiros estão mais concentradas em segurança, corrupção, saúde e impostos se comparadas às populações dos outros 29 países analisados. Enquanto crime e violência lideram tanto no Brasil quanto no mundo, os brasileiros atribuem menos importância a temas econômicos como inflação e desemprego.

Para Diego Pagura, CEO da Ipsos no Brasil, os resultados de julho indicam continuidade nas percepções da população. “No Brasil, a redução da intensidade de algumas preocupações não altera a predominância de temas estruturais, como segurança pública, corrupção e desigualdade, que seguem no centro da agenda. No cenário internacional, a estabilidade dos indicadores também prevalece, enquanto oscilações mais expressivas permanecem concentradas em contextos específicos de cada país, refletindo desafios e debates próprios de suas realidades nacionais”, afirmou o executivo.

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Brasil ocupa sétima posição global em preocupação com crime

O Brasil figura como o sétimo país onde crime e violência mais afligem a população. O percentual de 43% fica atrás de Peru e Chile (ambos com 60%), México e Suécia (55%), Israel (45%) e África do Sul (44%). Apesar da posição elevada, o índice caiu quatro pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, mas permanece dois pontos acima do observado há um ano.

Na sequência das maiores apreensões nacionais, a corrupção financeira ou política surge como segunda maior preocupação, citada por 36% dos entrevistados — oito pontos acima da média global de 28%. O patamar representa queda de três pontos no mês, mas alta de quatro pontos na comparação anual.

Saúde e impostos: diferenças expressivas frente ao mundo

A saúde ocupa a terceira posição no ranking brasileiro, com 35% das menções, contra 24% globalmente — diferença de 11 pontos. O resultado é igual ao de junho e recuou dois pontos ante julho de 2024. Já os impostos geram a maior disparidade em relação à média mundial: 30% dos brasileiros os apontam entre os três principais problemas, quase o dobro dos 17% registrados no conjunto das nações. A percepção subiu um ponto no mês e dois pontos em 12 meses. Com esse índice, o Brasil assume a segunda colocação no ranking global, atrás apenas da Bélgica, onde 36% indicaram impostos como tema preocupante.

Inflação e desemprego perdem espaço nas preocupações

Em contrapartida, a inflação preocupa 24% dos entrevistados no Brasil, abaixo da média mundial de 30%. O desemprego foi citado por 19% dos brasileiros, contra 29% no mundo. No ranking nacional, esses dois temas aparecem apenas na sexta e sétima posições, respectivamente, atrás também da pobreza e desigualdade social, mencionadas por 33%.

Maioria vê Brasil na direção errada e economia ruim

Além de mapear os principais problemas, a pesquisa Ipsos revela que 61% dos brasileiros consideram que o país está seguindo na direção errada, enquanto 39% avaliam que caminha no rumo correto. A percepção negativa cresceu três pontos no mês, embora esteja cinco pontos abaixo do registrado em julho do ano passado.

A situação econômica também é avaliada negativamente pela maioria: 65% dos entrevistados classificam a economia brasileira como ruim, contra 35% que a consideram boa. A avaliação negativa aumentou um ponto na comparação mensal, mas recuou seis pontos em relação ao ano anterior.

A Ipsos ouviu cerca de 1.000 pessoas, de 16 a 74 anos, no Brasil, por meio de questionário virtual, entre 19 de junho e 3 de julho. O intervalo de credibilidade é de 3,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. A empresa ressalta que a amostra brasileira é mais urbana, escolarizada e de maior renda do que a população geral, representando principalmente a parcela mais conectada do país.

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