Governo brasileiro vê dificuldade em reverter classificação do CV e PCC como terroristas pelos EUA
Brasil vê dificuldade em reverter classificação de CV e PCC como terroristas

O governo brasileiro não vê possibilidades de reverter em curto prazo a decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A avaliação interna é de que não há argumentos suficientes para convencer os americanos a recuar. Apesar disso, a orientação é manter o discurso de que o Brasil combate o crime organizado e está disposto a cooperar internacionalmente.

Medidas dos EUA

O governo americano adotou duas ações para ampliar o cerco ao PCC e ao CV. A primeira, já em vigor, classifica os grupos como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT). A segunda, que deve ser implementada na sexta-feira, os define como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). Esta última é mais abrangente e torna crime, segundo os EUA, fornecer apoio material ou recursos, ou receber treinamento militar em nome de uma organização terrorista.

Impactos esperados

Com as classificações, os EUA poderão adotar medidas financeiras e operacionais contra as facções, restringir a migração de integrantes e associados, e ampliar o uso de inteligência do Departamento de Defesa para possível combate. Há preocupação de que instituições financeiras brasileiras sejam impedidas de atuar no mercado americano se houver indícios de movimentação de dinheiro ligado às facções.

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Cooperação policial

O governo brasileiro aguarda possíveis mudanças na cooperação policial com os EUA. Com a classificação como terroristas, investigações passam a ser questão de segurança nacional, e países não compartilham informações desse tipo. Isso pode afetar a troca de dados entre as polícias.

Reações políticas

O anúncio ocorreu dois dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente Donald Trump. O pré-candidato à presidência celebrou a decisão. Por outro lado, o presidente Lula criticou a classificação, defendendo a soberania nacional. Em nota, o Palácio do Planalto chamou a atitude de 'deplorável' e atacou a família Bolsonaro, acusando-a de pedir interferência estrangeira.

Lula afirmou que o CV e o PCC são terroristas para as comunidades brasileiras, mas que o Brasil os combaterá internamente. O Planalto rejeitou qualquer interferência e declarou que a soberania é inegociável.

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