Barra do Garças: cidade ufológica com discoporto para alienígenas
Barra do Garças: cidade ufológica com discoporto

Enquanto relatos de supostos objetos voadores não identificados (OVNIs) voltam a chamar atenção no Brasil após o registro de luzes misteriosas no céu de Campo Largo (PR), uma cidade de Mato Grosso mantém há décadas uma estrutura criada para uma eventual visita extraterrestre. Em Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá, está o primeiro discoporto do mundo, inaugurado em 1995 como um aeroporto simbólico para possíveis naves alienígenas. A estrutura surgiu em meio às frequentes histórias de moradores sobre luzes misteriosas e fenômenos considerados incomuns na região.

O discoporto e sua história

O 'aeroporto de OVNIs' foi construído pela Prefeitura de Barra do Garças, idealizado pelo então vereador Valdon Varjão para valorizar o misticismo local e atrair visitantes. Os primeiros painéis e a réplica de uma nave em formato de disco voador foram instalados em 1997. Após ficar fechado por seis anos, o atrativo turístico foi reaberto em 2022, após obras de revitalização e ampliação com investimento superior a R$ 40 mil. A estrutura recebeu melhorias na iluminação, paisagismo temático e no acesso ao parque. Segundo a prefeitura, as intervenções visam fortalecer o turismo, um dos principais setores da economia local.

Lendas e relatos de OVNIs

Moradores relatam há décadas o aparecimento de luzes brilhantes no céu e outros fenômenos atribuídos à presença de extraterrestres. Histórias sobre tremores de terra na Serra do Roncador também alimentam as lendas. O psicólogo e ufólogo Ataíde Ferreira da Silva Neto contou ao g1 que essas histórias começaram nos anos 1920, quando o arqueólogo britânico Percy Fawcett viajou à região em busca da cidade lendária de El Dorado. Fawcett desapareceu em 1925, um ano após a fundação de Barra do Garças, e seu corpo nunca foi encontrado. O sumiço gerou teorias, incluindo a de que ele entrou em um portal para outra dimensão. A Serra do Roncador é alvo de lendas ancestrais, incluindo relatos de aparições de espíritos obsessores e entidades que vagam pela região.

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Experiências pessoais

O jornalista Konrad Felipe Hencke, que vive na cidade desde 1994, afirma ter vivido uma experiência ufológica na adolescência. Ele viu luzes misteriosas no céu enquanto estava na fazenda da avó. "Minha mãe viu uma luz muito forte no horizonte e me chamou. Havia uma luz grande cercada por outras quatro ou cinco luzes menores que se moviam em ondas, apagavam e acendiam. Foi muito fora do comum", lembra. Apesar de se considerar ateu e cético, Konrad diz que o episódio o marcou profundamente.

Outro morador, Osmar Cláudio da Silva, conhecido como 'ET da Barra', se fantasia de alienígena em desfiles e eventos há mais de 30 anos. Em 2015, foi homenageado pela Câmara com a criação do Dia do ET, comemorado no segundo domingo de julho. "Quando criaram o discoporto, veio a ideia da fantasia. Um arquiteto sugeriu para a esposa fazer uma fantasia para mim", conta. Apesar de nunca ter visto uma aparição alienígena, Osmar conhece muitas pessoas que juram ter visto luzes e naves misteriosas.

Eventos e turismo ufológico

Anualmente, moradores e entusiastas da ufologia se reúnem no discoporto para uma vigília na expectativa de presenciar aparições no céu, o que ainda não aconteceu. No local, também ocorre o Congresso Mato-grossense de Ufologia e Parapsicologia, realizado pela Associação Mato-grossense de Pesquisas Ufológicas e Parapsicológicas (AMPUP), com palestras e relatos sobre fenômenos inexplicáveis. A construção se tornou um dos principais pontos turísticos do município e símbolo da cultura ufológica local, reforçando a fama de Barra do Garças como uma das cidades brasileiras mais associadas a relatos sobre OVNIs.

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