O Como, clube que virou sensação na Itália ao ultrapassar Juventus e Milan e garantir vaga na Uefa Champions League, implementou uma regra inédita no futebol mundial. A equipe proibiu cabeceios em algumas categorias de sua base, com o objetivo de "reduzir impactos evitáveis na cabeça" e proteger os jovens atletas.
Proibição total até os 10 anos
Nas categorias abaixo de 10 anos, a proibição de cabecear a bola é total, tanto em treinos quanto em jogos. Além disso, os arremessos laterais serão cobrados com os pés, no chão, e os escanteios serão executados como arremessos laterais jogados no chão. A medida visa evitar que crianças em fase de desenvolvimento cerebral sofram impactos desnecessários.
A partir dos 11 anos, as normas ganham especificidades. Os cabeceios passam a ser introduzidos de forma controlada, com bolas mais leves feitas de borracha. "As mudanças refletem uma ideia simples: proteger primeiro os jogadores jovens e, em seguida, ensinar a habilidade de forma controlada quando estiverem prontos", esclareceu o Como em nota oficial. "Nas idades mais jovens, o foco será em mais tempo com a bola, mais tomada de decisão, mais tempo de jogo efetivo e um caminho claro que construa confiança e técnica passo a passo."
Regras detalhadas por faixa etária
O clube estabeleceu regras diferentes para cada categoria da base:
- Menores de 10 anos: cabeceio proibido; laterais com os pés; escanteios como laterais no chão.
- Menores de 11 anos: geralmente sem cabeceio; técnica pode ser introduzida no final da temporada, com bola de borracha leve; escanteios como laterais no chão.
- Menores de 12 anos: técnica de cabeceio ensinada uma vez por mês, com bola de borracha leve, máximo de cinco cabeçalhos por sessão; partidas seguem regras da federação italiana.
- Menores de 13 anos: cabeceios limitados a uma vez por semana, máximo de cinco por sessão; sem cabeceio em jogos; laterais com a mão, mas direcionados para baixo da cabeça.
- Demais idades: treinadores reduzem exposição repetitiva e desnecessária; bolas excessivamente cheias são evitadas.
Inspiração em Raphael Varane
As ideias surgiram de alertas do ex-zagueiro do Real Madrid e Manchester United Raphael Varane, hoje membro do conselho do Como. Varane explicou a motivação: "Já falei diversas vezes sobre a necessidade de levarmos a sério os impactos na cabeça no futebol e a importância absoluta de protegermos nossas crianças. Esse caminho reduz o contato desnecessário nas idades mais jovens, quando o cérebro ainda está em desenvolvimento, e então ensina a habilidade corretamente, passo a passo, com o controle adequado."
O Como continuará a incentivar um estilo baseado na posse de bola, adaptando as regras para priorizar a saúde dos jovens atletas sem abrir mão do desenvolvimento técnico. A iniciativa coloca o clube na vanguarda da proteção infantil no esporte, potencialmente influenciando outras equipes a adotarem medidas semelhantes.



