Treinamento em São Paulo
Profissionais da área da saúde em São Paulo estão realizando treinamento para atender casos suspeitos de ebola, em resposta ao avanço do surto na República Democrática do Congo (RDC). A iniciativa visa capacitar equipes para identificar e isolar possíveis pacientes, garantindo a segurança dos profissionais e da população.
Situação na República Democrática do Congo
O governo da RDC elevou para 1.405 o número de mortos e para 3.200 o total de casos confirmados de ebola desde o início do surto no fim de abril. A taxa de letalidade está em 43,9%, segundo o último boletim do Ministério da Comunicação e Mídia da RDC, com dados compilados até 25 de julho. Além disso, 773 pacientes estão em isolamento ou hospitalização, e 571 pessoas conseguiram se recuperar. A taxa de rastreamento de contatos é de 77,8%. Especialistas estimam que haja um número elevado de infecções não contabilizadas, que não foram detectadas ou notificadas. No domingo, as autoridades haviam confirmado 3.075 casos e 1.354 mortes. Em apenas dez dias, o número de infecções aumentou em mais de mil, indicando um ritmo acelerado de contágio.
O atual surto concentra-se no leste do país, região assolada por mais de 30 anos de conflitos armados. As cinco províncias afetadas são Ituri (responsável por quase 90% dos casos, segundo a OMS), Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uele e Tshopo. A epidemia se propagou para Uganda, vizinho a Ituri.
Propagação para Uganda
Em 16 de julho, Uganda registrou 20 infecções confirmadas, mas deu alta ao último paciente internado. Inicia-se a contagem regressiva de 42 dias sem novos contágios para declarar o fim do surto no país.
Vacinas e tratamentos em desenvolvimento
Causada pelo vírus Bundibugyo, a doença não tem vacina nem tratamento específico. Cientistas trabalham em várias vacinas e medicamentos. Na sexta-feira, um voluntário de 37 anos recebeu a vacina experimental ChAdOx1 BDBV, desenvolvida pela Universidade de Oxford com a mesma tecnologia da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca. O estudo recebeu financiamento da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), e o Instituto Serum da Índia já produziu 620 mil doses. Outras vacinas e duas terapias estão em desenvolvimento acelerado.
Desafios para as autoridades
Declarada em 15 de maio, esta é a terceira pior epidemia de ebola já registrada e a 17ª na RDC. O ministério afirmou: “As capacidades de vigilância e atendimento seguem plenamente mobilizadas nas áreas afetadas”. O Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) destacou a importância de enterros “seguros e dignos” para interromper a transmissão. Em 2020, a epidemia mais letal da RDC matou cerca de 2.300 pessoas entre 3.500 casos. Na África, o ebola já matou mais de 15 mil pessoas nos últimos 50 anos.



