Maria Aparecida dos Santos, que tinha 9 anos quando foi exposta à radiação do césio-137 no acidente de Goiânia em 1987, morreu nesta segunda-feira (27) aos 52 anos. Ela estava internada em um hospital da capital goiana desde o início do mês, tratando de complicações pulmonares e cardíacas decorrentes da exposição à radiação.
Quem foi a vítima
Maria Aparecida era uma das cerca de 20 pessoas que sobreviveram à contaminação direta pelo material radioativo, em um episódio que matou quatro pessoas e contaminou centenas. Segundo familiares, ela enfrentou problemas de saúde crônicos ao longo da vida, incluindo neoplasias e insuficiência cardíaca.
“Ela lutou contra as sequelas por décadas. Nunca conseguiu ter uma vida plena, mas sempre foi forte”, disse o médico que a acompanhou, Dr. Carlos Alberto de Oliveira.
Histórico do acidente
O acidente com o césio-137 ocorreu em setembro de 1987, quando um aparelho de radioterapia abandonado foi aberto por catadores de sucata em Goiânia. O pó brilhante do material radioativo se espalhou, contaminando bairros inteiros. De acordo com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), mais de 100 mil pessoas foram monitoradas e cerca de 250 apresentaram contaminação significativa.
Maria Aparecida foi uma das primeiras a ser exposta, quando brincava perto do local onde o aparelho foi aberto. Ela passou por tratamento inicial no Hospital do Câncer de Goiânia e depois acompanhamento por toda a vida.
O caso é considerado o maior acidente radiológico do Brasil e um dos mais graves do mundo, classificado como nível 5 na Escala Internacional de Acidentes Nucleares (INES). A morte de Maria Aparecida reforça o alerta sobre as consequências de longo prazo da exposição à radiação ionizante.



