Em um mundo onde tudo é urgente, a saúde mental paga um preço alto. Para o psiquiatra Arthur Guerra, o cérebro humano não evoluiu para processar a velocidade imposta pela tecnologia, e essa incompatibilidade está na raiz de muitos sofrimentos contemporâneos.
A pressão da resposta imediata
Antes, escrever uma carta e aguardar dias pela resposta era natural. Hoje, uma mensagem visualizada e não respondida em alguns minutos pode gerar crise. Guerra destaca que essa cobrança por agilidade se estende ao trabalho, aos relacionamentos e até ao lazer. A sensação de estar sempre atrasado, mesmo em frente ao computador, cria um estado de estresse contínuo.
Redes sociais e a armadilha da comparação
Nas redes, a vida dos outros aparece editada, filtrada, cheia de conquistas. Esse bombardeio de imagens idealizadas alimenta a comparação e o sentimento de inadequação. O psiquiatra chama atenção para o fato de que a exposição constante a essas narrativas perfeitas pode levar a quadros de ansiedade social e baixa autoestima, especialmente entre os jovens.
Epidemia de desatenção
Outra consequência é a dificuldade de manter o foco. As notificações ativam o sistema de alerta do cérebro a cada poucos minutos. Em vez de imersão profunda, vivemos em um estado de distração permanente. Segundo Guerra, a prática de atenção plena, ou mindfulness, é um antídoto para esse padrão: ao treinar o cérebro para se fixar no presente, reduz-se a ruminação mental e o estresse.
O silêncio como aliado
Para reverter esse quadro, não basta apenas reduzir as horas de tela. É preciso incorporar pausas deliberadas, momentos de tédio e de contato com o mundo não digital. Caminhar sem celular, olhar pela janela ou simplesmente não fazer nada são práticas negligenciadas que, para Guerra, são essenciais para a criatividade e para o descanso psíquico.
Como colocar em prática
A seguir, algumas orientações que o especialista apresenta para quem quer recuperar o equilíbrio mental na era do agora:
- Defina horários claros para checar e-mails e redes sociais.
- Deixe o telefone em outro cômodo durante as refeições.
- Pratique exercícios respiratórios ao acordar e antes de dormir.
- Invista em hobbies analógicos: leitura, desenho, cozinhar, jardinagem.
- Prefira conversas por voz ou presenciais a longas trocas de texto.
- Busque ajuda profissional se a ansiedade ou a tristeza se tornarem persistentes.
Conclusão
A era do agora não precisa se transformar em uma epidemia de esgotamento. Ao entender como o imediatismo afeta a mente, é possível fazer escolhas mais conscientes. O caminho, como lembra Arthur Guerra, envolve reaprender a esperar — e, sobretudo, a desacelerar para viver de forma mais plena.



