Acordo entre MPTO e Grupo São Miguel recuperará 3,3 mil hectares de Cerrado no Tocantins
Acordo entre MPTO e Grupo São Miguel recuperará 3,3 mil hectares de Cerrado no Tocantins

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) formalizou um dos maiores acordos de reparação florestal da história do estado. Após dez anos de disputas judiciais, o Grupo São Miguel assinou dois Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) para restaurar 3.314,45 hectares de vegetação nativa suprimida ilegalmente em áreas de Cerrado.

A área a ser recuperada equivale a mais de 4,6 mil campos de futebol e abrange as fazendas Diamante, Ouro Verde, Safira e Santa Maria, localizadas nos municípios de Lagoa da Confusão e Cristalândia. O compromisso foi averbado nas matrículas dos imóveis, garantindo que a obrigação de recuperação acompanhe a terra mesmo em caso de venda das propriedades.

Além da restauração, o grupo assumiu uma compensação financeira superior a R$ 2,2 milhões, que será destinada exclusivamente à recuperação do Cerrado e à modernização de sistemas de monitoramento ambiental. O acordo prevê a recuperação in situ, ou seja, a restauração deve ocorrer no local do dano, com isolamento gradual das áreas de Reserva Legal até 2031. Em caso de descumprimento, foi fixada multa de R$ 20 mil por hectare por mês de atraso.

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As áreas envolvidas estão na Bacia do Rio Formoso, uma das principais fronteiras agrícolas do Tocantins, que sofre pressão sobre os recursos hídricos devido a grandes empreendimentos irrigados. O MPTO destacou que o suporte técnico do Centro de Apoio Operacional de Meio Ambiente (CAOMA), com uso de imagens de satélite, foi decisivo para comprovar o passivo ambiental.

O acordo inclui um pedido formal de desculpas dos sócios do grupo à sociedade tocantinense, reconhecendo que intervenções feitas após 2008 nos varjões do Rio Formoso foram ilícitas e causaram danos ao bioma e aos recursos hídricos. Em nota, o Grupo São Miguel afirma que sempre atuou com base na legislação ambiental e com autorizações do Estado, destacando a geração de mais de 400 empregos diretos e 900 indiretos, além da preservação de 23 mil hectares de mata. A empresa reconhece possíveis irregularidades apontadas pelo MPTO e reafirma compromisso com a preservação ambiental.

A solução negociada permite que as ações de recuperação comecem em até 30 dias, oferecendo resposta mais rápida do que a continuidade dos processos judiciais, que tramitavam há mais de uma década sem resultados efetivos para o meio ambiente.

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