Ronco frequente pode ser sinal de apneia do sono, alertam especialistas
Ronco frequente pode ser sinal de apneia do sono

Roncar durante o sono é um hábito comum entre os brasileiros, mas nem sempre é inofensivo. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 40% da população ronca enquanto dorme. Apesar de muitas pessoas encararem a condição como algo normal, ela pode ser um sinal de alerta para a apneia obstrutiva do sono, doença que provoca interrupções repetidas da respiração durante o sono.

Riscos da apneia do sono

Em alguns casos, as pausas respiratórias duram mais de dez segundos e podem trazer consequências graves para a saúde, como aumento do risco de doenças cardiovasculares e até morte, segundo o médico otorrinolaringologista José Otávio Ayres. "As pessoas fazem piada com o ronco, mas o ronco é um problema muito sério, não é piada. Quando você está roncando e tem uma apneia, o seu organismo entende como se alguém estivesse te sufocando. Isso gera um estresse no organismo, liberando substâncias do estresse, como o cortisol, adrenalina. Então a pessoa que tem apneia, fica mais sujeita à doenças cardiovasculares, hipertensão, infarto, arritmias severas e acidente vascular cerebral", aponta.

Tratamento cirúrgico

O dentista cirurgião Paulo Ayres, que atua há mais de 20 anos no tratamento da apneia, explica que entre as opções de tratamento está a cirurgia para redução da úvula, conhecida popularmente como "sininho" da garganta. Segundo ele, embora o órgão muscular tenha uma função importante no organismo, ela pode contribuir para o agravamento da obstrução das vias aéreas durante o sono. "É um pedaço bem grande de mucosa, que é uma involução humana. Tem sido visto isso em 35% da população. Então, 35% da população sofre dessa patologia involutiva. E hoje tem tratamento", destaca o dentista.

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Relatos de pacientes

O autônomo Igor Zacchi, de Itapetininga (SP), descobriu há poucos meses que tem apneia do sono. Em busca de mais qualidade de vida, ele já marcou a cirurgia e espera voltar a dormir melhor após o tratamento. "Não consigo dormir de barriga para cima, porque acontece de a minha garganta obstruir, e aí eu sempre dou uma parada, acordo assustado, sem ar. Então, resolvi buscar ajuda por conta disso, porque não tenho mais um sono profundo", compartilha o paciente.

Já o comerciante Michel Cesar de Freitas Caires convive com a doença desde 2009, quando recebeu o diagnóstico aos 28 anos. Os sintomas, no entanto, só apareceram cerca de dez anos depois, com episódios de pressão alta e fadiga intensa. Após utilizar por cinco anos um equipamento de pressão positiva nas vias aéreas durante o sono, ele afirma que sua qualidade de vida melhorou significativamente depois da cirurgia. "O médico me alertou, na época, falou que, se eu não me tratasse, eu iria ter um problema cardíaco, iria ter, provavelmente, pressão alta, coisa que de fato aconteceu. Com 39 anos, minha pressão chegou a 19 por 13. Lembrei desse recado do médico, fiz novamente o exame polissonográfico e acusou a mesma obstrução, o mesmo problema", relata o paciente.

Diagnóstico e prevenção

Especialistas recomendam que pessoas com ronco frequente e sintomas como sonolência diurna, cansaço ao acordar e pausas respiratórias observadas por parceiros procurem avaliação médica. O diagnóstico é feito por exame de polissonografia, que monitora a respiração e outros parâmetros durante o sono. O tratamento pode incluir mudanças no estilo de vida, uso de CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) ou cirurgia, dependendo da gravidade.

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