O pé diabético é uma das complicações mais graves do diabetes, resultante de danos progressivos nos nervos e na circulação sanguínea. A condição afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo, podendo levar a consequências severas, como úlceras, infecções e até amputações. Identificar os sinais precoces e adotar cuidados adequados é fundamental para evitar desfechos trágicos.
O que é o pé diabético?
O pé diabético é uma complicação crônica do diabetes mellitus, caracterizada por alterações neurológicas e vasculares que comprometem a saúde dos pés. A neuropatia diabética reduz a sensibilidade, dificultando a percepção de ferimentos, enquanto a doença arterial periférica diminui o fluxo sanguíneo, prejudicando a cicatrização. Segundo o Instituto Micheline Sarquis, cerca de 25% dos pacientes com diabetes desenvolverão alguma úlcera no pé ao longo da vida.
Sinais de alerta
Os principais sintomas incluem formigamento, dormência, dor em queimação, pele seca e rachada, calosidades, deformidades e feridas que não cicatrizam. A perda de sensibilidade faz com que pequenos traumas passem despercebidos, evoluindo para infecções graves. “Muitos pacientes só procuram ajuda quando a ferida já está infectada”, alerta a equipe do instituto.
Fatores de risco
O controle inadequado da glicemia, tabagismo, hipertensão, colesterol alto, obesidade e histórico de úlceras anteriores aumentam o risco. Pessoas com diabetes há mais de 10 anos ou com neuropatia já estabelecida estão no grupo de maior vulnerabilidade.
Cuidados essenciais para prevenção
A prevenção é a melhor estratégia. Recomenda-se a inspeção diária dos pés, com atenção a vermelhidão, bolhas, cortes ou alterações na cor da pele. A higiene deve ser feita com água morna e sabão neutro, seguida de secagem cuidadosa, especialmente entre os dedos. Hidratar a pele com cremes específicos evita rachaduras. Calçados adequados, sem costuras internas e com sola firme, são indispensáveis. Além disso, é essencial controlar a glicemia, a pressão arterial e o colesterol, além de evitar fumar.
Tratamento e acompanhamento
Quando uma úlcera se forma, o tratamento inclui limpeza, desbridamento, curativos especiais, controle da infecção com antibióticos e, em casos graves, revascularização cirúrgica. O acompanhamento multidisciplinar com endocrinologista, angiologista, enfermeiro especializado em feridas e podólogo é crucial. O Instituto Micheline Sarquis oferece programas de educação e assistência para pacientes com pé diabético, visando reduzir amputações.
Impacto das amputações
Estatísticas mostram que o diabetes é a principal causa de amputações não traumáticas de membros inferiores no Brasil. Cerca de 85% das amputações em diabéticos são precedidas por úlceras no pé. Com cuidados preventivos adequados, até 80% dessas amputações poderiam ser evitadas, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes.
Conclusão
O pé diabético é uma complicação evitável com educação, autocuidado e monitoramento regular. Pacientes, familiares e profissionais de saúde devem estar atentos aos sinais precoces e adotar medidas preventivas no dia a dia. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem salvar membros e melhorar a qualidade de vida.



