O mundo corre o risco de um ressurgimento do HIV devido a uma queda de 18% no financiamento global, alerta a Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids). O relatório da agência, divulgado nesta semana, indica que a meta de acabar com a epidemia de aids até 2030 está seriamente ameaçada, com a redução de recursos e outras crises de saúde minando os avanços conquistados nas últimas décadas.
Queda no financiamento e impacto nos programas
Segundo o relatório da Unaids, o financiamento global para o combate ao HIV caiu 18% no último ano, passando de US$ 20,8 bilhões para US$ 17,1 bilhões. Essa redução compromete programas essenciais de prevenção, testagem e tratamento, especialmente em países de baixa e média renda, onde a epidemia é mais grave. A Unaids alerta que, sem recursos adequados, o número de novas infecções e mortes relacionadas à aids pode voltar a crescer.
Meta de 2030 fora do caminho
A meta global de acabar com a aids como ameaça à saúde pública até 2030 está cada vez mais distante. O relatório destaca que, apesar dos progressos no acesso à terapia antirretroviral, a queda no financiamento e a interrupção de serviços durante a pandemia de covid-19 e outras emergências sanitárias revertem anos de avanços. A Unaids estima que, para alcançar a meta, seria necessário um aumento significativo nos investimentos, algo que não se concretiza.
O papel das outras crises de saúde
Além da redução orçamentária, o relatório aponta que crises concorrentes, como a pandemia de covid-19, a mpox (anteriormente conhecida como varíola dos macacos) e conflitos armados, desviaram a atenção e os recursos do combate ao HIV. Essas emergências sobrecarregaram os sistemas de saúde e dificultaram a continuidade dos serviços de prevenção e tratamento, especialmente em regiões como a África Subsaariana.
Consequências para o futuro
O alerta da Unaids é claro: sem uma reversão imediata na tendência de financiamento, o mundo pode testemunhar um ressurgimento do HIV, com aumento de novas infecções e mortes. A agência da ONU pede que governos e doadores internacionais priorizem o combate ao HIV, lembrando que o investimento na resposta à aids também fortalece os sistemas de saúde para enfrentar futuras pandemias.



