O Ministério da Saúde encaminhará na próxima semana à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) uma proposta para oferecer o cabotegravir, medicamento injetável usado na prevenção do HIV, pelo SUS. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta segunda-feira (27), durante a Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro. Segundo Padilha, o laboratório fabricante apresentou um preço considerado adequado ao governo brasileiro, embora o valor negociado não tenha sido divulgado.
Processo de incorporação e papel da Conitec
A apresentação da proposta não significa disponibilidade imediata do medicamento na rede pública. A Conitec avaliará evidências científicas, custos e impacto orçamentário antes de recomendar ou não a incorporação ao Ministério da Saúde. Esse processo inclui análise de estudos clínicos, consulta pública e parecer técnico. A decisão final cabe à pasta, que pode acatar ou não a recomendação.
Cabotegravir: inovação na prevenção ao HIV
Diferentemente da PrEP oral atual, que exige comprimidos diários, o cabotegravir é administrado por injeção intramuscular a cada dois meses. Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023, o medicamento já havia recebido aval da FDA (agência reguladora dos Estados Unidos) em 2021, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou seu uso para prevenção do HIV em 2022. A PrEP injetável é vista como uma inovação importante, já que não existe vacina contra o HIV.
Eficácia e vantagens sobre a PrEP oral
O cabotegravir demonstrou ser "seguro e altamente eficaz" em dois ensaios clínicos com mulheres, homens que fazem sexo com homens (HSH) e mulheres trans. Os estudos foram realizados também no Brasil, em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Os resultados indicam que a eficácia do cabotegravir é 69% maior em comparação com os comprimidos orais diários de tenofovir/entricitabina (Truvada). A principal vantagem é a melhor adesão ao tratamento, já que a aplicação bimestral elimina a necessidade de ingestão diária de comprimidos. As duas primeiras doses são aplicadas com intervalo de quatro semanas, seguidas de injeções a cada oito semanas, sempre intramusculares na região glútea.
Impacto esperado e próximos passos
Caso aprovado, o cabotegravir se somará às estratégias de prevenção combinada do HIV no Brasil, que já incluem a PrEP oral, a profilaxia pós-exposição (PEP) e o uso de preservativos. A ampliação das opções pode reduzir novas infecções, especialmente entre populações mais vulneráveis. O ministro Padilha destacou a importância da inovação para o SUS, mas não há prazo definido para a conclusão da análise da Conitec ou para o início da distribuição.



