Mãe cobra agilidade no TFD para bebê com síndrome do intestino curto em Roraima
Mãe cobra agilidade no TFD para bebê internado em UTI

Desde o nascimento, em 12 de abril, Miguel Silveira nunca viu o céu nem respirou ar fresco. O bebê de 3 meses vive dentro de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, em Boa Vista, Roraima. Diagnosticado com síndrome do intestino curto, ele não consegue absorver nutrientes adequadamente e depende de tratamento especializado indisponível no estado.

A luta pela liberação do Tratamento Fora de Domicílio

A mãe, Fabiana da Costa Silveira, cobra agilidade na liberação do Tratamento Fora de Domicílio (TFD) para o filho. O TFD é um programa do Sistema Único de Saúde (SUS) que garante transporte, hospedagem e ajuda de custo para pacientes que precisam de atendimento não disponível em seu estado. No caso de Miguel, o laudo médico aponta a necessidade de "reabilitação e acompanhamento em falência intestinal", serviço que Roraima não oferece.

"Como o intestino dele está curto, ele não consegue absorver os nutrientes necessários. Por isso, precisa receber nutrição continuamente e permanecer internado até que essa situação seja resolvida", explicou Fabiana em entrevista à Rede Amazônica.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O drama da espera e os riscos na UTI

A família mora em Rorainópolis, no Sul de Roraima, mas desde o parto a mãe acompanha Miguel em Boa Vista. Enquanto isso, a filha mais velha, de 2 anos, ficou sob os cuidados do pai. Fabiana faz um apelo emocionado: "Quero aqui fazer um apelo para o estado, para quem tem a capacidade de conseguir a vaga do meu filho, para que ele possa existir. Ele nunca viu o céu, nunca respirou ar fresco. Nunca existiu fora de uma UTI. Ele não tem vida. Quero que ele viva e que não sobreviva".

A permanência prolongada na UTI também preocupa a mãe pelos riscos de infecções. "Além da situação que ele já está passando, estar na UTI deixa portas abertas para infecções. Ele já teve duas infecções enquanto esperava o TFD", afirmou.

Resposta da Secretaria de Saúde de Roraima

A Secretaria de Saúde (Sesau) informou, por meio de nota, que a solicitação do TFD foi iniciada pela unidade hospitalar em 12 de maio, recebida pelo setor responsável em 20 de maio e autorizada na mesma data pela Junta Médica, com acompanhante e transporte em UTI aérea. "Desde então, a Sesau realiza tratativas para viabilizar o atendimento em um centro especializado fora do Estado. Foram encaminhadas solicitações a unidades de referência em diferentes estados, mas, até o momento, não houve aceite nem disponibilização de leito", diz a nota.

Em 24 de julho, o caso foi encaminhado à Central Estadual de Transplantes, que conduz o fluxo nacional para definição da unidade de referência. A Sesau reforça que a transferência depende do aceite da instituição especializada, disponibilidade de leito e conclusão da regulação nacional. Assim que esses procedimentos forem concluídos, a pasta adotará as medidas necessárias para a remoção.

Enquanto a solução não chega, Miguel Silveira continua na UTI, lutando pela chance de um dia ver o céu.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar