Maternidade precoce tira jovens do mercado de trabalho, aponta estudo
Maternidade precoce afasta jovens do mercado de trabalho

Um novo estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que a maternidade precoce está diretamente associada à exclusão do mercado de trabalho formal e à redução da renda ao longo da vida. A pesquisa, que acompanhou mulheres entre 15 e 29 anos por uma década, revelou que aquelas que tiveram o primeiro filho antes dos 19 anos têm 40% menos chances de estar empregadas formalmente aos 30 anos, em comparação com mulheres que engravidaram após os 25 anos.

Impacto na educação e na carreira

A interrupção dos estudos é um dos principais fatores que explicam esse cenário. De acordo com os dados, 70% das jovens mães abandonam a escola antes de concluir o ensino médio. "A maternidade precoce cria um ciclo de pobreza difícil de quebrar", afirma a socióloga Helena Costa, coordenadora da pesquisa. "Sem qualificação, essas mulheres ficam presas a subempregos informais ou dependem de programas assistenciais."

O estudo também aponta que a diferença salarial entre mães precoces e mulheres que tiveram filhos mais tarde chega a 35% ao longo da carreira. Mesmo quando conseguem trabalho formal, as jovens mães enfrentam dificuldades para conciliar cuidados com os filhos e jornada de trabalho, o que reduz sua produtividade e chances de promoção.

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Desigualdade racial e regional

A pesquisa destaca que a maternidade precoce atinge desproporcionalmente mulheres negras e de regiões mais pobres. No Norte e Nordeste, a taxa de gravidez na adolescência é o dobro da média nacional. "É uma questão de justiça social", ressalta Costa. "Políticas públicas de educação sexual, acesso a contraceptivos e creches são fundamentais para romper esse ciclo."

Os números mostram que 65% das jovens mães no Brasil vivem em famílias com renda per capita de até meio salário mínimo. Sem suporte, muitas abandonam os planos de retomar os estudos ou ingressar no mercado de trabalho.

Consequências para a economia

Além do impacto individual, a maternidade precoce tem custos para a economia. O Ipea estima que o país perde cerca de R$ 12 bilhões por ano em produtividade devido à menor participação de mulheres que foram mães na adolescência no mercado formal. "Investir em prevenção e apoio é mais barato do que arcar com as consequências", argumenta a economista Lúcia Mendes, também autora do estudo.

Entre as recomendações do relatório estão a ampliação de programas de saúde sexual nas escolas, a oferta de creches gratuitas em tempo integral e a criação de linhas de crédito para jovens mães que desejam empreender. "Precisamos de uma abordagem integrada que envolva educação, saúde e assistência social", conclui Costa.

A pesquisadora enfatiza que as jovens mães não devem ser estigmatizadas, mas sim apoiadas. "Muitas delas são extremamente resilientes e, com o suporte certo, conseguem superar as barreiras." O estudo completo está disponível no site do Ipea e servirá de base para políticas públicas em discussão no Congresso Nacional.

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