Enchentes no RS: como adaptar cidades às mudanças climáticas
Enchentes no RS: adaptar cidades ao clima

As enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul evidenciam a necessidade urgente de adaptação das cidades brasileiras aos eventos climáticos extremos. Prefeituras precisam rever normas de construção, exigindo moradias mais seguras em áreas baixas — como casas sobre pilotis — e sistemas de drenagem eficientes.

Medidas construtivas para mitigar inundações

Em condomínios residenciais, construtoras têm mais espaço e ordenação dos lotes, o que permite incorporar soluções ambientais obrigatórias. Uma das propostas é elevar o pé direito das novas construções, proporcionando maior conforto térmico mesmo em verões escaldantes. Telhados verdes, cobertos por vegetação, reduzem a temperatura interna no verão e retêm calor no inverno. Prefeituras poderiam tornar obrigatórios telhados brancos ou verdes em todas as edificações urbanas, contribuindo para amenizar o aquecimento global.

Técnicas passivas de climatização

Aberturas no alto das paredes, conhecidas como efeito chaminé, expulsam o ar quente acumulado no teto. Inspirar-se nas casas gregas pintadas de branco — como vistas em filmes — reflete os raios solares, tornando os interiores mais suportáveis. Essas medidas simples reduzem a dependência de ar-condicionado e o consumo de energia.

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Revisão do pavimento urbano

Não há como fugir da substituição do asfalto por pisos permeáveis nas vias urbanas, permitindo que a água se infiltre no solo. As calçadas também devem ser porosas. Bairros precisam de mais piscinões e, próximos aos rios, de parques lineares para reter a água pluvial, diminuindo as inundações. Os Países Baixos, cuja Holanda faz parte, mantêm grande parte do território abaixo do nível do mar utilizando diques, canais, bombas d'água e barragens — sistema que inspira soluções para o Brasil.

Contraponto: verticalização em São Paulo

A liberação de prédios altos em bairros paulistanos vai na contramão do que as novas condições ambientais exigem. Essas construções ampliam ilhas de calor urbano, aprisionam calor nas ruas e criam rajadas de vento. Pior ainda são os edifícios com fachadas espelhadas, que intensificam o desconforto térmico.

Urgência na agenda climática

Essas mudanças deveriam ser prioritárias, especialmente na próxima campanha eleitoral presidencial. Lamentavelmente, em vez de avançar nesses temas, o país se vê obrigado a lidar com tarifaços apoiados por pretensos brasileiros e com as diatribes do tresloucado presidente de um grande país vizinho. O tempo perdido na adaptação às mudanças climáticas configura mais uma ação lesa-pátria, em meio a tantas que temos acompanhado.

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