Mais de 60% dos médicos que atendem crianças em serviços de saúde de João Pessoa e Campina Grande, na Paraíba, não possuem especialização em pediatria. O dado faz parte de um levantamento divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) em parceria com a Sociedade Paraibana de Pediatria, durante evento dedicado ao Dia do Pediatra. O evento reuniu pediatras e gestores para discutir os desafios da especialidade.
Levantamento analisou sete unidades de saúde
O estudo analisou sete unidades de saúde das duas cidades e constatou que um número considerável de médicos formados atuam sem o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em pediatria. O número exato de profissionais não foi divulgado. A pesquisa não especificou os nomes das unidades, mas o objetivo é destacar a importância da formação especializada para o atendimento infantojuvenil.
Segundo o conselheiro do CRM-PB, João Medeiros, o levantamento busca conscientizar sobre a necessidade de médicos com formação específica para cuidar de crianças. "A formação especializada é extremamente importante para o atendimento adequado de um ser muito vulnerável, em franco crescimento e desenvolvimento e que certamente precisa de um atendimento mais especializado", afirmou.
Riscos para diagnóstico e tratamento
A presidente da Sociedade Paraibana de Pediatria, Socorro Martins, destacou os riscos da falta de especialização. Segundo ela, a ausência de pediatras pode levar a diagnósticos tardios, condutas terapêuticas inadequadas e falhas no acompanhamento do desenvolvimento infantil. "Às vezes o diagnóstico retardado, a condução terapêutica, o acompanhamento longitudinal dessa criança, o estabelecimento dos vínculos psicoafetivos tanto com a criança como a família, que isso é inerente à formação do pediatra, porque esse vínculo que o pediatra tem com as famílias, nenhuma tecnologia substitui, nenhum profissional", disse.
Ela ressaltou que o vínculo psicoafetivo entre o pediatra e a família é fundamental para um cuidado integral, algo que não pode ser substituído por tecnologia ou por outros profissionais sem a formação adequada.
Termo de cooperação para monitoramento
Diante dos resultados, o CRM-PB e a Sociedade Paraibana de Pediatria assinaram um termo de cooperação técnica para acompanhar as unidades de saúde onde foi identificada a ausência de pediatras. O termo prevê visitas técnicas, auditorias e ações educativas para qualificar o atendimento. O acordo visa incentivar a contratação de especialistas e a capacitação dos profissionais já atuantes.
O acompanhamento regular com o pediatra é essencial para prevenir doenças e garantir um crescimento saudável. A realização de exames conforme solicitação médica também é fundamental. A falta de especialização pode comprometer a saúde infantil, aumentando os riscos de erros médicos e subdiagnósticos. A pediatria é uma especialidade que exige conhecimento aprofundado sobre crescimento, nutrição, imunização e doenças típicas da infância. Sem essa formação, o médico pode não identificar sinais de alerta precoce.
O levantamento aconteceu em meio ao Dia do Pediatra, celebrado em 27 de julho. A data foi usada para reforçar a importância da especialidade. A Paraíba enfrenta desafios na distribuição de profissionais de saúde, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade.
Impacto na saúde pública
A ausência de pediatras em unidades básicas de saúde pode sobrecarregar os serviços de emergência e levar a internações evitáveis. A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças sejam atendidas por profissionais treinados para lidar com as particularidades do desenvolvimento infantil. Especialistas alertam que a falta de especialização pode resultar em tratamentos inadequados e até mesmo em sequelas a longo prazo.
O CRM-PB afirmou que continuará monitorando a situação e cobrando das autoridades medidas para garantir o direito à saúde infantojuvenil. A população pode denunciar irregularidades ao conselho.



