Um estudo do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT) projeta um aumento de 47% nas mortes causadas pela poluição dos transportes no Brasil nos próximos 25 anos, caso não haja uma transição acelerada para veículos elétricos. A pesquisa alerta que, sem medidas ambiciosas, o país continuará a registrar altos índices de poluição do ar, especialmente nos grandes centros urbanos.
Cenários e impactos na saúde
O estudo analisou diferentes cenários de eletrificação da frota brasileira. No cenário mais ambicioso, com 100% das vendas de veículos novos sendo de emissão zero até 2045, seria possível poupar 65,2 mil vidas no período. Atualmente, o Brasil ocupa a 17ª posição global em mortes prematuras relacionadas ao transporte, segundo o ICCT.
“A poluição do ar por veículos é um grave problema de saúde pública. Sem uma eletrificação robusta, as mortes prematuras continuarão a crescer”, afirmou o pesquisador responsável pelo estudo, em entrevista ao jornal O Globo.
Poluição nas capitais
A capital paulista, por exemplo, registra índices elevados de poluição do ar, como ilustra a foto de Edilson Dantas/Agência O Globo. A má qualidade do ar está associada a doenças respiratórias e cardiovasculares, além de contribuir para o aumento da mortalidade.
O estudo destaca que a reversão desse quadro exige políticas públicas agressivas, como incentivos fiscais para veículos elétricos, ampliação da infraestrutura de recarga e restrições à circulação de veículos poluentes.
Desafios da eletrificação
Apesar dos benefícios, a eletrificação da frota brasileira enfrenta obstáculos, como o alto custo dos veículos elétricos, a falta de infraestrutura de recarga e a dependência de fontes fósseis na matriz elétrica. O ICCT recomenda que o Brasil adote metas intermediárias, como 30% de vendas de veículos elétricos até 2030, para acelerar a transição.
“Precisamos de um plano nacional de eletrificação, com metas claras e investimentos em energia limpa”, defendeu o pesquisador.
Impacto global e urgência
O estudo se insere em um contexto global de emergência climática. A Organização Mundial da Saúde estima que a poluição do ar cause 7 milhões de mortes prematuras por ano no mundo. No Brasil, a contribuição do setor de transportes para esse total é significativa, especialmente nas regiões metropolitanas.
“Cada ano de atraso na eletrificação significa milhares de mortes que poderiam ser evitadas”, conclui o estudo do ICCT.



