Especialistas alertam que o coito interrompido falha com frequência na vida real, não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e não deve ser usado isoladamente por quem deseja evitar uma gestação. A taxa de falha no uso típico pode chegar a cerca de 20% ao ano, segundo médicos ouvidos pelo g1.
O urologista Jorge Hallak, professor livre-docente da Faculdade de Medicina da USP, afirma que o ideal é sempre usar outro método além do coito interrompido. Ele explica que o método pode ser usado por casais que aceitam o risco de uma gravidez não planejada: “É para o casal que assume o risco, que não quer, mas se engravidar tudo bem”.
Os especialistas diferenciam o “uso perfeito” do “uso típico”. No cenário ideal — sem álcool, drogas, ansiedade, ejaculação precoce e com retirada no momento exato — a taxa de falha pode cair para cerca de 4% ao ano, segundo Hallak. No entanto, na prática, a eficácia é muito menor. O ginecologista José Maria Soares Júnior, professor da Faculdade de Medicina da USP, afirma que a taxa de falha real gira em torno de 20% a 22% ao ano, o que significa que cerca de uma em cada cinco pessoas que dependem exclusivamente do método acabam engravidando.
Um dos principais riscos do método está no líquido pré-ejaculatório, liberado antes do orgasmo. Segundo Soares Júnior, estudos mostram que esse líquido pode conter espermatozoides viáveis em uma parcela significativa dos homens, com proporções variando de 13% a 41% dos participantes. Isso significa que a gravidez pode ocorrer mesmo sem ejaculação dentro da vagina. “Uma vez depositados na entrada ou no canal vaginal, esses espermatozoides são capazes de alcançar o óvulo e provocar fecundação”, explica o ginecologista.
Fatores como álcool, ansiedade e excitação intensa dificultam ainda mais o controle da ejaculação. Hallak destaca que o risco é especialmente elevado durante a intoxicação alcoólica, porque a inibição sexual retira o controle. Ele também observa que pacientes jovens tendem a apresentar mais dificuldade de controle ejaculatório devido à alta excitação e menor intervalo entre relações. A ejaculação precoce afeta até 50% dos homens em diferentes fases da vida, segundo o médico.
Na comparação com outros métodos contraceptivos, o coito interrompido apresenta eficácia inferior. No uso típico, a camisinha apresenta eficácia em torno de 87%, enquanto o coito interrompido fica em cerca de 78%, segundo Soares Júnior. Além da eficácia maior, a camisinha possui a vantagem fundamental de proteger contra ISTs, algo que o coito interrompido não oferece.



