Bebê com doença rara vive há 6 meses na UTI em Goiânia
Bebê com doença rara vive há 6 meses na UTI em Goiânia

Uma bebê de seis meses, Anna Flávia Almeida Messerchimidt Vieira, vive internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG) desde o nascimento. Diagnosticada com displasia tanatofórica tipo 1, uma condição genética raríssima, ela nunca viu a luz do sol ou sentiu o vento na pele, conforme relato da mãe, Glávia Almeida Messerchimidt, de 40 anos.

Luta pela vida e pelo home care

A pequena já superou mais de quatro paradas cardiorrespiratórias, crises convulsivas, transfusões sanguíneas e duas cirurgias de alto risco. Apesar de ainda necessitar de ventilação mecânica, seu quadro clínico já permitiria cuidados domiciliares especializados. Por isso, a mãe recorreu à Justiça e obteve, em 29 de abril, uma decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) que determina a implantação do serviço de home care, com prazo de 48 horas para cumprimento e multa diária de R$ 1 mil.

Entretanto, até esta segunda-feira (15), a determinação judicial não foi efetivada. A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informou que foi notificada e que o caso está sob análise técnica e jurídica. Já a Secretaria Municipal de Saúde de Bela Vista de Goiás, cidade onde o serviço deve ser habilitado, destacou que a ventilação mecânica domiciliar é de alta complexidade e ofertada de forma regionalizada pelo SUS, não sendo responsabilidade exclusiva do município.

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Condição rara e desafios diários

A displasia tanatofórica tipo 1 é uma doença genética que afeta o desenvolvimento ósseo, causada por mutação no gene FGFR3. Segundo a médica pediatra Paula Pires de Souza, a incidência é de 1 caso para cada 20 mil a 50 mil nascimentos, geralmente sem histórico familiar. A principal complicação é o tórax pequeno, que impede o desenvolvimento pulmonar adequado, levando a insuficiência respiratória grave ao nascer.

Glávia, bombeiro militar e mãe solo, reside em Bela Vista de Goiás e está afastada do trabalho para acompanhar a filha. Desde fevereiro, dorme em uma cadeira hospitalar para economizar e ficar perto de Anna, que fica irritada e dessatura quando a mãe se ausenta. Atualmente, a bebê recebe medicamentos anticonvulsivantes por gastrostomia e não depende de medicamentos intravenosos, apenas do suporte ventilatório.

Riscos da internação prolongada

A mãe alerta que a permanência na UTI expõe a criança a riscos, como infecções. Anna já teve duas pneumonias e uma traqueíte. "Ela tem consciência de tudo, interage, sorri, chora. Quanto mais estímulos, mais se desenvolve, mas a UTI é limitada e há risco de contaminação", relata Glávia. Nas redes sociais, ela compartilha a rotina e faz apelos pelo cumprimento da decisão judicial, destacando a superação da filha: "Anna ouviu ainda no ventre as frases 'incompatível com a vida' e 'impossível', e estamos vencendo há mais de seis meses".

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