O dólar comercial abriu a sessão desta segunda-feira, 3 de fevereiro, em leve baixa de 0,08%, cotado a R$ 5,0656 por volta das 9h. O movimento é reflexo de um dia de maior apetite por risco nos mercados, impulsionado pela sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que pode haver um acordo de paz com o Irã. As negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h, com expectativa de agenda cheia de balanços e a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira.
Petróleo em queda após Trump cancelar ataques ao Irã
O petróleo voltou a ser o centro das atenções dos investidores nesta segunda-feira. No sábado, Trump afirmou que cancelaria um novo ataque contra o Irã, desde que fosse fechado rapidamente um acordo para interromper o programa nuclear do país e reabrir o Estreito de Ormuz. A declaração, feita na rede social Truth Social, gerou otimismo no mercado, que passou a precificar uma menor probabilidade de interrupção do fornecimento de petróleo na região.
Por volta das 8h40, o barril do Brent, referência internacional, caía 4,98%, cotado a US$ 83,55. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, recuava 5,87%, para US$ 79,70. A queda reflete a percepção de que uma trégua reduziria os riscos de ataques a infraestruturas petrolíferas e ao transporte marítimo no Golfo Pérsico.
Trump afirmou que Irã e outros países do Oriente Médio pediram a suspensão dos ataques. "Irã e outros países do Oriente Médio acabaram de nos pedir que suspendêssemos qualquer ataque, pois os termos de um acordo foram definidos", escreveu o republicano. "Com base nesse pedido, concordei, em benefício futuro do MUNDO e, igualmente, da sobrevivência de um Irã bem-sucedido e próspero, em cancelar o ataque, desde que seja possível fechar rapidamente um ACORDO", completou. Ele ainda destacou que Israel se juntaria à tentativa de acordo, mas o governo israelense não comentou o assunto.
Apesar do tom conciliador de Trump, o Irã negou ter pedido a interrupção dos ataques. Citando autoridades militares, a agência de notícias iraniana Mehr classificou a alegação do presidente americano como "uma nova mentira" e afirmou que as Forças Armadas iranianas estavam "em alerta máximo e prontas para qualquer eventualidade". Mesmo com a negativa, a possibilidade de novas negociações e a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz foram suficientes para derrubar os preços do petróleo.
Copom deve cortar a Selic para 14%
No cenário doméstico, a grande expectativa da semana é a reunião do Copom, marcada para terça e quarta-feira. O mercado projeta mais um corte de 1 ponto percentual na taxa básica de juros, levando a Selic para 14% ao ano. Essa decisão deve influenciar diretamente o câmbio e a renda fixa, além de dar o tom para os investimentos nos próximos meses.
Os dados acumulados mostram um cenário de recuperação: o dólar acumula queda de 0,22% na semana, 1,81% no mês e 7,64% no ano. Já o Ibovespa, que será aberto às 10h, acumula alta de 2,27% na semana, 3,45% no mês e 10,45% no ano. O desempenho positivo do índice reflete o fluxo de recursos para a renda variável, puxado por commodities e pela expectativa de juros mais baixos.
Balanços corporativos movimentam a bolsa
Além da decisão de juros, os investidores acompanham uma série de balanços corporativos previstos para esta semana. Entre as empresas que devem divulgar resultados estão Itaú, Bradesco, Gerdau, GPA, CSN e Petrobras. Os números podem trazer volatilidade para o Ibovespa, especialmente no setor bancário e no de siderurgia, que têm grande peso no índice.
O mercado também reage a um movimento coordenado entre Japão e Estados Unidos, que realizaram uma intervenção de compra de ienes para conter a desvalorização da moeda japonesa. A medida impactou os mercados asiáticos, que fecharam sem direção única. O CSI 300, que reúne as maiores companhias de Xangai e Shenzhen, caiu 0,98%; o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,48%; o Nikkei, do Japão, recuou 0,94%; e o Kospi, da Coreia do Sul, teve forte desvalorização de 5,12%.
Com informações da agência de notícias Reuters.



