O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou nesta terça-feira (30) a gestão do ex-governador Geraldo Alckmin – hoje vice-presidente da República e filiado ao PSB – ao comparar a entrega de obras de mobilidade de sua administração com os atrasos acumulados pelas linhas 17-Ouro e 6-Laranja durante governos anteriores.
Obra prometida para a Copa de 2014
“Essa obra foi prometida para a Copa de 2014. Ela podia ter sido entregue na Copa de 2014″, disse Tarcísio. Veio a Copa de 2014, passou; veio a Copa de 2018, passou; veio a Copa de 2022, passou. Precisou chegar à Copa de 2026. A diferença é que, na Copa de 2026, a gente tinha aqui em São Paulo um outro time. Um time que não aceita obra parada.”
As declarações foram dadas ao longo da inauguração da Estação Washington Luís, oitava unidade da Linha 17-Ouro, que liga o Metrô ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista. Trata-se da última etapa de entrega da linha pela gestão Tarcísio, que inaugurou o monotrilho em 31 de março com sete estações após 12 anos de espera.
Obras paradas como eixo de campanha
Ao ser questionado pelo Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) se a entrega de obras paradas será um dos eixos de sua campanha à reeleição, Tarcísio afirmou que sua gestão priorizou a conclusão de projetos interrompidos havia dez, 15 ou até 20 anos, incluindo grandes empreendimentos e creches. Também citou iniciativas que, segundo ele, por anos ficaram apenas no “imaginário”, como o Túnel Santos-Guarujá, já contratado, em parceria com o governo Lula.
“A gente vai começar a jornada agora. Tem que falar das pequenas também, que não tiveram esse olhar, não tiveram esse cuidado. Obra parada é desperdício de dinheiro público. Obra parada não gera valor para ninguém, não tem valor presente líquido, não traz, não agrega valor”, disse o governador.
Histórico da Linha 17-Ouro
Anunciada em 2010 como obra para a Copa de 2014, a Linha 17-Ouro entra em operação três Mundiais depois. O projeto original previa 18 estações entre Congonhas, o Morumbi e Jabaquara, mas acabou reduzido ao trecho entre o aeroporto e a Estação Morumbi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
Após perder recursos federais, ter contratos rescindidos em meio aos efeitos da Operação Lava Jato e passar por paralisações e trocas de construtoras, a obra foi retomada em 2020. Orçada inicialmente em R$ 2,9 bilhões – cerca de R$ 7,1 bilhões em valores atualizados -, a primeira etapa custou R$ 5,97 bilhões. A conclusão da linha tem sido usada por Tarcísio para se contrapor às gestões tucanas, em especial à Alckmin.
O vice-presidente deve se engajar na campanha do ex-ministro Fernando Haddad (PT), principal adversário do atual chefe do Executivo paulista na disputa pela reeleição, sobretudo no interior do Estado.
Discurso de entrega
“Enquanto tem gente falando bobagem, falando, falando, falando, a gente está entregando todo dia”, continuou o governador. “Ontem o Brasil ganhou de 2 a 1 do Japão. Hoje a gente está dando de 10 a 0 na ineficiência, de 10 a 0 na incompetência que deixou essa obra aí parada durante tanto tempo.”
Também participaram do evento desta terça-feira o pré-candidato ao Senado e presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), o vice-governador Felício Ramuth (MDB) e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).



