A transferência de Jair Bolsonaro para a prisão domiciliar na sexta-feira (27) foi recebida com alívio por familiares e aliados, mas gerou críticas às condições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, consideradas muito restritivas. Na prisão anterior, na Papudinha, Bolsonaro podia receber aliados com autorização de Moraes, usando o tempo para articular candidaturas. Agora, apenas advogados e um núcleo restrito de familiares podem visitá-lo, em horário reduzido.
Interlocutores do ex-presidente cogitam acionar a corte por meio de mandados de segurança para tentar derrubar parte das regras, mas isso só seria feito mais adiante. Por enquanto, o discurso é priorizar a saúde de Bolsonaro. Aliados acreditam que Moraes submeteu Bolsonaro a um teste de 90 dias, período determinado para a vigência da prisão domiciliar humanitária e temporária, que pode ser reavaliada após esse prazo.
Nesta segunda (30), Moraes pediu que a defesa explique uma publicação com fala do deputado Eduardo Bolsonaro, para avaliar se há violação à proibição de uso das redes sociais. Na postagem, Eduardo diz a uma plateia que está gravando o vídeo para mostrar ao pai. Se Moraes entender que houve burla, Bolsonaro pode voltar ao regime fechado.
Bolsonaristas mais radicais afirmam que as condições impostas e a possibilidade de reverter a decisão a qualquer momento representam uma ameaça ao ex-presidente e seus filhos, exigindo que a família não desagrade o ministro. Entre as medidas que a defesa pode tentar derrubar estão a proibição de visitas, o limite de 30 minutos para conversas com advogados e o veto a manifestações num raio de 1 km da casa.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disse que a família não pode visitá-lo, mas evitou descontentamento. Questionada sobre procurar Moraes para ampliar o prazo, afirmou que não há necessidade por enquanto. O senador Flávio Bolsonaro chamou a decisão de 'exótica' por valer apenas 90 dias, e reclamou das restrições aos advogados, dizendo que o acesso deveria ser livre.



