O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou uma nova investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A suspeita é de tráfico de influência. A Polícia Federal apura se Lulinha atuou para favorecer empresários junto à Dataprev, empresa pública que administra as bases de dados da Previdência Social e de outros programas sociais. Os crimes investigados são tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, um dos empresários investigados é Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa 3Structure It. A PF chegou a Cleber por causa da relação dele com Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, suspeito de comandar um esquema de desvios no INSS.
Operação Sem Desconto e a lacuna investigativa
Em fase anterior da Operação Sem Desconto, que apura esses desvios, a PF afirmou que os vínculos entre Cleber Ribas, Erik Marinho e Antônio Camilo precisam ser mais profundamente esclarecidos. O objetivo é confirmar ou afastar a eventual participação de Cleber em atos de lavagem de capitais atribuídos a Antônio e Erik.
Constam ainda em diálogos interceptados entre Antônio e Roberta Luchsinger referências a um indivíduo identificado como “Cleber na DATA”, apresentado como alguém que assumiria projetos conduzidos por Antônio. A polícia também menciona “registros de transferência de valores entre empresas de Cleber e Roberta”. Diante desse contexto, a real participação de Cleber permanece como importante lacuna investigativa.
Erik Marinho, citado nas investigações, é segundo suplente de senador. Roberta Luchsinger é empresária e amiga pessoal de Lulinha.
Segundo inquérito contra o filho de Lula
Esta é a segunda investigação autorizada pelo ministro André Mendonça para apurar suspeitas contra o filho do presidente Lula. Na última quinta-feira (30), Mendonça já havia determinado que a PF investigasse se Lulinha atuou para tentar abrir portas do Ministério da Saúde ou do Gabinete da Presidência em favor do “Careca do INSS”.
Nesse caso, a Polícia Federal quer apurar possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência. Segundo a PF, essas suspeitas não têm relação com as fraudes do INSS.
O que dizem as defesas e a Dataprev
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que ele e o empresário Cleber Ribas são amigos. Acrescentou que Lulinha está à disposição das autoridades e que não cometeu qualquer irregularidade. A defesa disse ainda que pedirá rigorosa apuração sobre o que chamou de “vazamentos seletivos e criminosos”.
A defesa de Cleber Ribas, por sua vez, afirmou que nem ele nem a empresa 3Structure It possuem contrato com a Dataprev ou relação comercial com Fábio Luís Lula da Silva, embora os dois sejam amigos. Já a defesa de Erik Marinho disse que ele não tem relação com Cleber Ribas e que espera há sete meses acesso à investigação.
A defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes informou que não teve acesso ao inquérito e desconhece a acusação. A Dataprev, por sua vez, disse que não possui contrato com a empresa 3Structure-IT e que prestará as informações necessárias às autoridades.



