Lourivaldo Ferreira Nepomuceno morreu em 6 de maio de 2025, após ficar preso entre o vão e a porta da plataforma da Estação Campo Limpo, da concessionária ViaMobilidade, enquanto tentava embarcar em um trem. Na época, o vão entre o trem e a porta da plataforma das estações da Linha 5-Lilás não contava com barreiras de proteção que evitam esmagamento.
O Metrô de São Paulo concluiu a investigação sobre o acidente sem detalhar quais falhas levaram à morte. Em nota, a companhia resumiu o resultado da sindicância em uma única frase: “as medidas administrativas necessárias para a melhoria dos processos foram adotadas”.
Após a morte de Lourivaldo, a ViaMobilidade instalou barreiras de proteção no vão entre o trem e a porta da plataforma das estações da Linha 5-Lilás. No entanto, não foram instalados sensores de presença, tecnologia que pode detectar a presença de uma pessoa nesse espaço e impedir que o trem continue viagem.
Documentos do governo estadual e da empresa indicam que falhas no sistema de portas de plataforma já eram conhecidas havia pelo menos três anos antes da morte do passageiro. Em novembro de 2021, um passageiro ficou preso no vão entre o trem e a plataforma na estação Chácara Klabin. Na ocasião, a ViaMobilidade concluiu que o sistema de portas “não atendia integralmente aos requisitos de segurança”. O mesmo tipo de incidente voltou a ocorrer em novembro de 2022 e outras duas vezes em 2023.
A instalação de portas de segurança nas estações mais antigas do Metrô de São Paulo segue atrasada. Na Linha 1-Azul, apenas duas das 23 estações contam com o equipamento. Na estação Sé, a mais movimentada da rede, não há portas na plataforma da Linha 1-Azul. Já na Linha 3-Vermelha, as portas foram instaladas, mas ainda não estão em funcionamento. O Metrô contratou, em 2019, um consórcio para instalar 88 portas de plataforma até 2024, mas o prazo já foi adiado duas vezes e não há data definida para conclusão.
O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que o inquérito policial foi arquivado a pedido do Ministério Público, sem indicação de responsabilização criminal. Uma passageira que testemunhou o acidente contou à TV Globo que as pessoas ficaram desesperadas: “Dentro do metrô mesmo muita gente ficou nervosa. Pessoas começaram a gritar, chorar”.



