O Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do Brasil, surgiu na década de 1970 dentro do presídio de Ilha Grande, no estado do Rio de Janeiro. Na época, presos comuns e presos políticos dividiam as mesmas celas, e a organização inicialmente se chamava Falange Vermelha, adotando posteriormente o nome atual.
Nos anos 1980, o dinheiro obtido com assaltos a bancos passou a financiar o tráfico de drogas. A Colômbia tornou-se a grande produtora de cocaína, e o Rio de Janeiro se transformou em um dos centros das novas rotas do narcotráfico. Com isso, o Comando Vermelho se fortaleceu e passou a dominar territórios, muitas vezes com a conivência de agentes públicos.
Segundo Carolina Grillo, coordenadora do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF (Geni/UFF), a grande circulação de dinheiro gerou disputas entre quadrilhas pelo controle. Isso também provocou a ganância de grupos corruptos dentro da polícia, que realizavam batidas para roubar dinheiro ou drogas. Em resposta, o Comando Vermelho passou a comprar armamento cada vez mais pesado.
As disputas internas levaram a divisões na facção e ao surgimento de rivais, como a ADA (Amigos dos Amigos), que perdeu força, e o Terceiro Comando, que deu origem ao TCP. O TCP é hoje o principal rival do Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Tentativas de enfraquecer a facção, como a transferência de chefes para presídios federais em 2006, não detiveram o crescimento do grupo.
A operação de retomada dos complexos do Alemão e da Penha, em 2010, acabou contribuindo para que o Comando Vermelho se espalhasse. O mapa de domínio da facção mostra que a fuga dos traficantes para a Baixada Fluminense e o interior do estado marcou uma nova etapa de controle.



