Uma megaoperação iniciada há 10 dias combate o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso. O problema se agravou nos últimos anos na região, impulsionado pela alta do ouro no mercado internacional.
A cotação do ouro subiu 60% no ano passado, o que estimulou a invasão de novas áreas. Em três anos, a fiscalização desmontou cerca de 1 mil acampamentos ilegais na região, destruindo aproximadamente R$ 700 milhões em equipamentos, incluindo mais de 500 escavadeiras. Cerca de 4.200 hectares da Terra Indígena Sararé já foram destruídos.
Uma nova operação para retirar os garimpeiros começou na semana passada, com centenas de agentes federais. Até agora, 67 pessoas foram presas. O desafio é impedir que as quadrilhas retornem ou invadam outras áreas.
De acordo com o Ibama, o crime organizado muda de lugar constantemente para evitar confronto com as autoridades. Alguns empresários dão apoio logístico a essa movimentação, dificultando o combate ao garimpo.
Há três anos, uma operação na Terra Indígena Yanomami retirou garimpeiros, mas algumas quadrilhas migraram para outras áreas de Roraima, como Raposa Serra do Sol, e para o Pará, ampliando a destruição nas terras Munduruku e Kayapó. Após ações do Ibama nessas regiões, muitos garimpeiros foram para Sararé, onde as áreas atingidas se multiplicaram no ano passado.
Agora, as quadrilhas operam também no sul do Amazonas e no limite entre Amapá e Pará. O procurador André Porreca defende uma articulação constante entre órgãos públicos para enfrentar as várias frentes do crime.



