Há vinte anos, no dia 15 de maio de 2006, São Paulo viveu um dia de medo e caos durante a onda de ataques do crime organizado contra alvos policiais. Bases da polícia, bombeiros, agentes penitenciários e policiais de folga foram atacados em ações orquestradas pelo PCC. A cidade parou: transporte público deixou de funcionar, comércio fechou as portas e as ruas ficaram desertas.
Os ataques começaram após a transferência de presos do PCC para penitenciárias de segurança máxima, na véspera do Dia das Mães. Em retaliação, a facção ordenou rebeliões em presídios e ataques a alvos policiais. Criminosos soltos nas ruas recebiam ordens de dentro das cadeias; quem não obedecesse era morto pela própria organização.
O pânico se espalhou com boatos sobre ataques a pontos de ônibus, lojas, escolas e shopping centers. As empresas liberaram funcionários mais cedo, e o congestionamento na cidade atingiu 212 km de vias paradas às 18h, recorde para o horário. Segundo a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP), 56 agentes de segurança foram mortos comprovadamente por integrantes do PCC.
Nos dias seguintes, uma suposta retaliação aos ataques contra a polícia resultou na morte de civis. Levantamento da Conectas Direitos Humanos em parceria com a UFRJ aponta que 564 pessoas foram baleadas e mortas durante a onda de violência em maio de 2006.
O chefe da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, foi levado ao Deic após ordenar os ataques. Ele teria proposto um acordo para cessar os ataques em troca de visitas no Dia das Mães. A onda de violência completa 20 anos em 2026, marcando um dos episódios mais trágicos da segurança pública paulista.



